MME projeta demanda de até 40 GW para armazenamento e impulsiona hidrelétricas reversíveis
O Brasil necessitará de 30 a 40 GW de capacidade instalada de armazenamento de energia no médio prazo, conforme projeção do Ministério de Minas e Energia (MME). A estimativa, apresentada pelo secretário executivo Gustavo Ataíde, destaca a importância das Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs) como solução para a flexibilidade operativa do sistema elétrico nacional.

O Brasil necessitará de 30 a 40 GW de capacidade instalada de armazenamento de energia no médio prazo, conforme projeção do Ministério de Minas e Energia (MME). A estimativa, apresentada pelo secretário executivo Gustavo Ataíde, destaca a importância das Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs) como solução para a flexibilidade operativa do sistema elétrico nacional. Essa necessidade foi o ponto central de um debate promovido pela Megawhat e Copel em 27 de maio, que reuniu lideranças do setor.
A demanda por armazenamento de energia reflete uma transformação significativa no setor elétrico brasileiro. O foco, antes predominantemente na garantia de energia (GWh), agora se volta para a crescente necessidade de potência e flexibilidade. Essa mudança é impulsionada pela expansão acelerada de fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, que já somam mais de 40 GW na matriz e exigem maior capacidade de resposta do sistema.
Gentil Nogueira, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), destacou no evento que as UHRs são fundamentais não apenas para fornecer inércia ao sistema, mas também para mitigar o chamado *curtailment* – o corte de geração de energias renováveis em momentos de excedente. Ele, contudo, alertou para a necessidade de avançar na criação de métricas claras para a contratação de flexibilidade, um desafio regulatório ainda pendente.
Cida, gerente executiva da Operadora Nacional do Sistema Elétrico (ONS), detalhou os serviços sistêmicos cruciais que as usinas reversíveis podem prestar. Entre eles, destacam-se o controle de rampa e de frequência, além de serviços de restabelecimento, essenciais para equilibrar a intermitência de grandes blocos de energia solar e garantir a segurança e resiliência da rede.
O MME, por meio de seu secretário executivo, indicou que as recentes resoluções do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sinalizam o empenho do governo em viabilizar tecnologias de armazenamento. Em complemento, a Associação Brasileira de Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), representada por sua presidente Marisete Pereira, defendeu a modernização do formato de contratação e o aproveitamento da infraestrutura de hidrelétricas já existentes para projetos de UHR, o que pode reduzir custos e impactos ambientais.
Do ponto de vista de investidores e fabricantes, Sérgio Gomes, da Andritz, reforçou o interesse do mercado global por soluções de armazenamento. Ele ressaltou, porém, que o investimento exige um modelo de remuneração sustentável e compatível com a longa vida útil desses ativos. Diogo Mac Cord, da Copel, defendeu que futuros leilões foquem no atributo “armazenamento”, promovendo a competição isonômica entre as diferentes tecnologias.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) também tem atuação relevante nessa agenda. Thiago Prado, presidente da empresa, revelou a reativação de estudos de inventário, como no Rio de Janeiro, e a criação de uma ferramenta para auxiliar empreendedores na seleção de áreas para projetos de armazenamento. A EPE estuda ainda a aplicação de um “prêmio locacional” para reduzir gargalos de escoamento, um incentivo adicional para a implantação dessas infraestruturas.
A implementação de projetos de armazenamento trará impactos significativos. Além de mitigar o *curtailment* e otimizar o uso da energia gerada por fontes intermitentes, as UHRs oferecerão serviços sistêmicos que aumentam a segurança da rede. A integração do armazenamento pode ainda reduzir a volatilidade do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) ao absorver excedentes e injetar energia em momentos de pico, beneficiando tanto o mercado livre quanto o cativo.
Para os próximos passos, a Aneel precisa avançar na criação de métricas e modelos de remuneração para a contratação de flexibilidade e serviços sistêmicos. A aproximação entre a agência reguladora e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para regulamentar o uso de recursos hídricos é outro ponto crucial para a viabilização dos projetos de UHR. A expectativa é que futuros leilões de energia incorporem o atributo “armazenamento”, estimulando a competição entre as diversas tecnologias disponíveis.
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Matéria redigida pela redação IA do Radar Energia a partir do documento da fonte. Consulte o original para validação técnica e jurídica.
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