Neoenergia reporta queda de lucro no 2T26, mas EBITDA avança 11% com concessões renovadas
A Neoenergia registrou lucro líquido de R$ 900 milhões no segundo trimestre de 2026, com queda de 45% ante o ano anterior devido a um efeito não recorrente, mas seu EBITDA consolidado avançou 11%, para R$ 3,55 bilhões. A companhia também formalizou a prorrogação antecipada de concessões de distribuição até 2057 e 2058, garantindo estabilidade regulatória de longo prazo.
A Neoenergia (NEOE3) divulgou nesta terça-feira (04/08) seus resultados econômico-financeiros do segundo trimestre de 2026, com lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 900 milhões, uma queda de 45% em relação ao mesmo período de 2025. A retração se deve, principalmente, à ausência de um ganho extraordinário de R$ 770 milhões em créditos tributários registrado no balanço do ano anterior. Em contrapartida, o EBITDA consolidado da companhia avançou 11%, atingindo R$ 3,55 bilhões, impulsionado por uma gestão de despesas mais eficiente e pela expansão de 5% da margem bruta, que chegou a R$ 4,64 bilhões, conforme a central de resultados da empresa.
A formalização, em maio deste ano, da prorrogação antecipada por mais 30 anos dos contratos de concessão das distribuidoras Neoenergia Coelba (BA), Neoenergia Cosern (RN) e Neoenergia Elektro (SP/MS) foi um dos pontos relevantes para a tese de investimento da companhia. Amparada pela Lei nº 14.182/2021, a medida estendeu as concessões dessas empresas até 2057 e 2058, respectivamente, conferindo estabilidade regulatória de longo prazo e maior previsibilidade para os ativos regulados. A Neoenergia Pernambuco já havia tido sua concessão renovada em setembro de 2025.
A companhia mantém um plano de investimentos robusto no segmento de distribuição para modernização e expansão da infraestrutura. A Neoenergia Cosern, por exemplo, prevê investimentos de R$ 4,1 bilhões no ciclo 2026-2030, um aumento de 80% em relação ao ciclo anterior, com foco em infraestrutura elétrica, combate a perdas e digitalização da rede. Essas ações visam a expansão da base de ativos regulados (RAB), a melhoria contínua dos indicadores de qualidade (DEC e FEC) e a otimização da operação, com potencial impacto positivo nas revisões tarifárias futuras, especialmente na Parcela B e na Receita Anual Permitida (RAP).
No entanto, o ambiente de juros elevados continua a pressionar o resultado financeiro da Neoenergia, que encerrou o trimestre com um valor negativo de R$ 1,817 bilhão, 32% superior ao 2T25. Essa dinâmica, combinada com o plano de investimentos, contribuiu para um leve aumento na alavancagem financeira, com a relação Dívida Líquida/EBITDA encerrando junho de 2026 em 3,48 vezes, ante 3,41 vezes no final de 2025. A empresa também defende regras mais rígidas para as comercializadoras no mercado livre de baixa tensão, buscando maior segurança e regulação, o que pode gerar atritos com novos players do setor.
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