ONS aponta carga robusta e reservatórios confortáveis, enquanto setor avança em flexibilidade e acesso
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registra carga de 86.004 MWméd e EAR do SIN em 62,7%, indicando um cenário hidrológico confortável. O setor avança na flexibilidade com recorde de 344 MW em resposta da demanda e na capacidade de acesso à transmissão (30,7 GW), enquanto discute o custeio de baterias e o impacto de incentivos fiscais para datacenters.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontou uma carga global de 86.004 MWméd para o Sistema Interligado Nacional (SIN) em 21 de setembro, com os níveis de Energia Armazenada (EAR) em 62,7%, indicando um cenário hidrológico confortável. No mesmo dia, o setor elétrico registrou avanços significativos em flexibilidade e acesso à transmissão, com o ONS viabilizando 30,7 GW de capacidade de acesso à Rede Básica e a Resposta da Demanda atingindo um recorde de 344 MW contratados.
A capacidade de acesso viabilizada pela Nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), regulamentada pelo Decreto nº 12.772/2025, representa um avanço estrutural para o mercado, com o primeiro processo competitivo para alocação de margens remanescentes previsto para outubro. Este mecanismo aumenta a previsibilidade para geradores e consumidores livres que buscam expandir ou instalar novas unidades, impactando o lastro futuro do sistema. Paralelamente, a aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) pelo Senado, que suspende tributos federais sobre equipamentos, deve impulsionar a demanda por energia elétrica, especialmente no Ambiente de Contratação Livre (ACL), direcionando a contratação para fontes renováveis.
A discussão sobre o rateio dos custos da contratação de baterias (BESS) nos leilões previstos para dezembro de 2026, com a Aneel tendo divulgado contribuições à minuta do edital em 21 de setembro, é um ponto crucial. O Projeto de Lei 3.716/2026 busca revogar o dispositivo que prevê o rateio apenas entre geradores, o que, se aprovado, poderá afetar diretamente os encargos setoriais e as tarifas dos consumidores finais. A introdução de BESS visa fornecer lastro e flexibilidade, podendo mitigar picos de Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e melhorar a segurança do suprimento, mas a forma de custeio definirá a distribuição desses benefícios e custos. O recorde de 344 MW na contratação de flexibilidade via Resposta da Demanda beneficia diretamente consumidores comerciais e industriais, atuando como uma "geração virtual" que pode reduzir a necessidade de despacho de térmicas mais caras.
Apesar do cenário geral de reservatórios em patamar confortável – com a Energia Natural Afluente (ENA) acima da Média de Longo Termo (MLT) no SIN (168%) e no Sudeste/Centro-Oeste (141%) –, o ONS registrou desafios operacionais. A geração hidráulica no Sul ficou abaixo do programado, e a produção de Itaipu para o Brasil foi inferior devido a condições atmosféricas desfavoráveis. No Rio Grande do Sul, tempestades provocaram desligamentos automáticos de diversas linhas de transmissão (230 kV e 525 kV) em 21 de setembro, evidenciando a vulnerabilidade da infraestrutura a eventos climáticos extremos e a necessidade de investimentos em resiliência da rede.
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