ONS registra intercâmbio de emergência com Argentina em dia de alta carga no SIN
A operação do SIN em 10 de setembro registrou carga de 84.844 MWméd e acionamento de intercâmbio de emergência da Argentina, após falhas em grandes usinas e operação N-3. O cenário de estresse reforça a urgência da agenda regulatória da ANEEL para flexibilidade e armazenamento, com foco em novas regras para baterias e suprimento de última instância.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) acionou um intercâmbio internacional de emergência com a Argentina, via Garabi II, em 10 de setembro. A medida visou atender à ponta de carga, comprometida por uma operação N-3 e pela indisponibilidade de unidades geradoras em Ilha Solteira e São Simão. O evento ocorreu em um dia de alta demanda, com a carga global do sistema atingindo 84.844 MWméd, conforme informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em seu Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO).
A carga de 84.844 MWméd em 10 de setembro está alinhada com a projeção do ONS para o mês, que indicava um aumento de 5,9% na carga do SIN, para 85.118 MWméd. A geração hidráulica respondeu por 50% do total, com eólica (21%) e solar (16%) contribuindo, enquanto o nível de armazenamento do SIN estava em 62,6% da Energia Armazenada (EAR). Destaques operacionais incluíram geração hidráulica superior ao programado no Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Norte devido à carga acima do previsto, e produção de Itaipu inferior ao esperado por limitações no setor de 60 Hz e condições atmosféricas.
Este cenário de estresse operacional reforça a relevância da agenda regulatória para maior flexibilidade e resiliência do sistema. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, em 8 de setembro, a primeira revisão da agenda regulatória 2026-2027, incluindo a regulamentação dos custos de contratação entre geradores e sistemas de armazenamento em baterias, além do 'Suprimento de Última Instância' para consumidores livres. No mesmo dia, a agência abriu consulta pública para o Leilão de Transmissão nº 01/2027, que pela primeira vez prevê lotes para armazenamento por baterias no segmento de transmissão, com investimentos de R$ 12,9 bilhões.
A pressão sobre o sistema tende a impactar o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) nos submercados afetados, refletindo a necessidade de despacho de fontes mais caras ou importações emergenciais. Isso afeta diretamente a precificação de curto prazo e a gestão de contratos no Ambiente de Contratação Livre (ACL). Em paralelo, o ONS encaminhou contribuições à ANEEL para uma transição segura nas diretrizes de tratamento de curtailment, e a agência abriu consulta para modernizar as regras de conexão de Recursos Energéticos Distribuídos (REDs), visando uma rede mais segura e eficiente frente à crescente complexidade do sistema.
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