Adoção de EVs no Brasil já reduz demanda por combustíveis, aponta estudo do ICCT
Um estudo do ICCT Brasil e análises do Citi indicam que a crescente adoção de veículos elétricos e híbridos no país já desloca volumes significativos de gasolina e etanol. A tendência, que projeta bilhões de litros não consumidos até 2040, é catalisada pela abertura do mercado livre de energia para baixa tensão e por avanços regulatórios na conexão de recursos energéticos distribuídos.
A adoção de veículos elétricos e híbridos no Brasil já começa a impactar a demanda por combustíveis líquidos, segundo estudo do ICCT Brasil e análises do Citi, que projetam uma redução significativa nos próximos anos. Em 2025, a eletrificação da frota já evitou o consumo de cerca de 700 milhões de litros de gasolina e etanol, o equivalente a 1% da demanda total, segundo o levantamento. As projeções indicam que o volume deslocado pode alcançar 5 bilhões de litros (8% da demanda) até 2030 e 9 bilhões de litros (14% da demanda) até 2040, e a demanda por combustíveis do ciclo Otto pode encolher a partir de 2027.
Essa transição é impulsionada pela expansão do Ambiente de Contratação Livre (ACL) para consumidores de baixa tensão, estabelecida pela Lei 15.269, sancionada em novembro de 2025. A medida permitirá que pequenos negócios e comércios migrem para o mercado livre a partir de novembro de 2027, e consumidores residenciais até novembro de 2028, segundo diretrizes da ANEEL. A expectativa é que a migração reduza os custos de recarga de veículos elétricos em 40% a 60% para frotistas e eletropostos, e 'drasticamente' para residências, tornando a eletrificação mais competitiva.
Para garantir a integração eficiente dessa nova demanda à rede, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu a Consulta Pública 033/2026 em 10 de setembro de 2026, com foco na modernização das regras de conexão de Recursos Energéticos Distribuídos (REDs), que abrangem, entre outros, veículos elétricos. A proposta visa atualizar o Módulo 3 do PRODIST, estabelecendo requisitos para monitoramento e controle da potência injetada. Em contrapartida, o setor de veículos eletrificados enfrenta o aumento da alíquota do imposto de importação para 35% a partir de julho de 2026, o que pode elevar os custos de aquisição e tem levado montadoras a avaliar projetos de produção nacional para mitigar o impacto.
A eletrificação veicular representa um vetor de crescimento estrutural para a demanda por eletricidade no longo prazo, especialmente no Ambiente de Contratação Livre. Consumidores de veículos elétricos, frotistas e proprietários de eletropostos são os principais beneficiados, acessando preços de energia mais competitivos e previsíveis. Em contraste, distribuidoras podem perder parte da base cativa, enquanto o setor de combustíveis líquidos enfrenta uma erosão gradual da demanda. A tendência de aumento da demanda elétrica exigirá maior planejamento da expansão da oferta e novas estratégias de comercialização.
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