Aneel aprova CVU de R$ 1.139/MWh para termelétrica Três Lagoas
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou um Custo Variável Unitário (CVU) de R$ 1.139,00 por megawatt-hora (MWh) para a Usina Termelétrica (UTE) Três Lagoas, operada pela Petrobras. A decisão, com vigência a partir de 23 de julho de 2026, é temporária e visa garantir a segurança do suprimento até o início dos contratos do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026.
A ANEEL aprovou o novo Custo Variável Unitário (CVU) de R$ 1.139,00 por megawatt-hora (MWh) para a Usina Termelétrica (UTE) Três Lagoas, da Petrobras, atendendo a um pleito de revisão da estatal. O valor, que entrou em vigor em 23 de julho de 2026, terá caráter temporário, sendo válido por 12 meses ou até o início do fornecimento de energia dos contratos firmados no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, o que ocorrer primeiro.
Além do CVU, a agência reguladora estabeleceu a Parcela de Custo Fixo em R$ 109,48/MWh, com um montante de geração de 997.793 MWh necessário para a recuperação desses custos fixos. A UTE Três Lagoas, com capacidade instalada de 234,5 MW, está entre os empreendimentos cujos contratos foram firmados nos LRCap nº 2/2026 e nº 3/2026, cujos resultados parciais foram homologados pela ANEEL em 21 de maio e publicados no Diário Oficial da União (DOU) em 22 de maio de 2026.
A aprovação do CVU e a antecipação do início do suprimento para 1º de setembro de 2026, já aprovada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para esta e outras quatro usinas, reforçam a prioridade regulatória na segurança do suprimento de curto prazo. Contudo, o despacho de uma termelétrica com CVU de R$ 1.139/MWh eleva o Custo Marginal de Operação (CMO) nos submercados, pressionando o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) e a curva forward, especialmente para produtos de curto prazo. Para referência, o PLD no Sudeste/Centro-Oeste para a semana operativa de 27/07/2026 a 02/08/2026 está em R$ 156,48/MWh, conforme dados da CCEE.
Enquanto a Petrobras ganha previsibilidade e recuperação de custos operacionais, o custo elevado do CVU e a antecipação do suprimento contribuem para o aumento do custo total do leilão de reserva de capacidade de 2026, que, segundo apuração, pode chegar a R$ 800 bilhões em 15 anos. Essa dinâmica impacta o encargo final para o consumidor regulado e incentiva a busca por contratos de longo prazo e diversificação de portfólio no Ambiente de Contratação Livre (ACL) para mitigar a exposição ao PLD.
Tags
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.