Bloomberg Philanthropies destina US$ 285 milhões para acelerar energia limpa globalmente
A Bloomberg Philanthropies anunciou um aporte de US$ 285 milhões para impulsionar a energia limpa em mercados emergentes e em desenvolvimento, visando fortalecer as indústrias locais e superar obstáculos na implantação de renováveis. O investimento busca garantir que a oferta de energia limpa acompanhe o ritmo da demanda global, que cresce impulsionada por fatores como a inteligência artificial e a eletrificação.
A Bloomberg Philanthropies, fundação do empresário Michael R. Bloomberg, comprometeu US$ 285 milhões para acelerar a expansão da energia limpa em economias emergentes e em desenvolvimento. O anúncio, feito pelo próprio Michael Bloomberg – que também atua como Enviado Especial do Secretário-Geral da ONU para Ambição e Soluções Climáticas –, marca um novo capítulo nos esforços globais da organização para fortalecer o setor de energias renováveis e assegurar uma oferta de energia confiável, acessível e segura em todo o mundo.
O novo investimento surge em um momento de transformação nos mercados globais de energia, com o consumo em alta, impulsionado pelo crescimento industrial, inteligência artificial, eletrificação e instabilidade geopolítica. Embora a energia limpa seja hoje a fonte mais barata para novas gerações de energia na maior parte do mundo, e as projeções indiquem que as renováveis responderão por 34% da eletricidade global em 2025 — superando o carvão (33%) pela primeira vez em cerca de um século —, desafios estruturais ainda freiam sua implantação.
O foco da Bloomberg Philanthropies é apoiar países responsáveis por quase 70% das emissões do setor elétrico global, com a meta de que a energia solar e eólica gerem mais de 50% da eletricidade nessas nações até 2030. Para isso, a iniciativa se estrutura em quatro pilares: fortalecimento de associações setoriais e redes regionais, apoio a dados e análises econômicas que demonstrem a viabilidade das renováveis, assistência técnica a governos e reguladores para criar condições de mercado favoráveis, e parcerias com instituições financeiras para desbloquear capital privado.
Michael Bloomberg ressaltou que, embora a energia limpa seja mais barata que os combustíveis fósseis em quase todas as partes do mundo, “obstáculos solucionáveis ainda retardam a implantação”. Ele enfatizou a urgência de remover essas barreiras para reduzir os custos de energia para famílias e empresas, e melhorar a qualidade do ar e da água. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, complementou que a energia limpa deve “escalar rapidamente nas economias que mais precisam”.
A iniciativa visa preencher uma lacuna crítica: enquanto as tecnologias de energia limpa avançam rapidamente, os atores da indústria que as apoiam ainda estão em fase de maturação. Em muitos mercados, a infraestrutura e a indústria de energia limpa são subfinanciadas em comparação com os setores de energia tradicionais, que construíram influência política, expertise técnica e redes de financiamento ao longo de décadas. O programa busca capacitar o setor de renováveis para que possa moldar o futuro sistema energético.
Líderes de associações setoriais de energia solar em mercados como Ásia, Índia, África do Sul e Brasil expressaram apoio à iniciativa. Rodrigo Sauaia, cofundador e CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e cofundador do Global Solar Council (GSC), destacou que, para sustentar a trajetória da solar, “precisamos de associações fortes com capacidade para engajar reguladores, refinar o desenho do mercado e garantir que o ambiente político acompanhe a implantação”.
A Indonésia, por exemplo, tem uma ambiciosa meta de 100 GW de energia solar, enquanto a África do Sul instalou 8 GW de capacidade solar nos últimos três a quatro anos. Esses casos demonstram o potencial de implantação rápida em economias emergentes, mas também evidenciam a necessidade de uma infraestrutura institucional e regulatória robusta para transformar esse potencial em projetos concretos na rede elétrica, superando a desvantagem histórica frente aos setores de energia tradicionais.
Este compromisso da Bloomberg Philanthropies se baseia em mais de uma década de trabalho de Michael Bloomberg para acelerar a transição energética global. Desde 2011, a organização tem apoiado campanhas como a “Beyond Coal” nos Estados Unidos, expandindo internacionalmente em 2017. Esses esforços contribuíram para o cancelamento de quase 450 usinas a carvão em quatro continentes e para a implantação de mais de 1.100 GW de capacidade de energia limpa.
O impacto esperado é uma aceleração significativa da implantação de energia limpa, especialmente em economias emergentes, para atender à crescente demanda global e reduzir os custos de energia para consumidores e empresas. Ao fortalecer as indústrias locais e aprimorar os arcabouços regulatórios, a iniciativa busca desbloquear capital privado para novos projetos e infraestrutura, contribuindo para uma matriz energética mais limpa, confiável e segura, além de melhorar a qualidade do ar e da água em comunidades afetadas.
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