Gasolina nos EUA atinge pico de dois meses com riscos geopolíticos e impacta Brasil
Os preços da gasolina nos Estados Unidos alcançaram o maior nível em dois meses, impulsionados por conflitos no Estreito de Bab el-Mandeb e ataques a refinarias russas, gerando volatilidade global. No Brasil, o governo prorroga subsídios e impõe imposto de exportação para amortecer o impacto, mas a defasagem de preços domésticos persiste.
Os futuros da gasolina nos Estados Unidos atingiram o maior patamar em mais de dois meses na quinta-feira (23), atingindo US$ 3,50 por galão, e recuando para US$ 3,42 por galão nesta sexta-feira (24), segundo dados da Trading Economics. Apesar da leve queda recente, a commodity acumula alta de 17,77% no último mês e expressivos 63,44% em comparação com o mesmo período do ano passado, refletindo a persistente tensão geopolítica global.
A escalada dos preços é impulsionada principalmente pela expansão do conflito entre EUA e Irã para o Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota marítima crucial para o transporte de energia, e pela continuidade dos ataques ucranianos a refinarias russas. Embora haja um otimismo cauteloso sobre possíveis negociações de paz entre Washington e Teerã, com esforços diplomáticos liderados pela China e Paquistão, o presidente Donald Trump alertou para interferências, mantendo elevado o prêmio de risco no mercado de petróleo e derivados.
No Brasil, a volatilidade internacional pressiona o governo federal a manter medidas de mitigação. O subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina foi prorrogado por mais 30 dias a partir de 26 de julho, via portaria do Ministério da Fazenda. Para o diesel, o Congresso estendeu o subsídio de R$ 1,12 por litro por 60 dias, e a subvenção econômica adicional de R$ 0,32 por litro, com PIS/COFINS zerados sobre importação e comercialização, segue até 31 de dezembro de 2026. Adicionalmente, um imposto temporário de 12% sobre as exportações de petróleo bruto impacta diretamente a Petrobras.
Essas políticas de subsídio e a atuação da Petrobras têm gerado uma significativa defasagem nos preços domésticos em relação à paridade internacional. Em 22 de julho, a gasolina estava 52% (R$ 1,34) e o diesel 67% (R$ 2,18) abaixo do preço de paridade de importação, conforme dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Enquanto isso amortece o impacto para os consumidores finais, pressiona produtores e importadores, que dependem das subvenções, e exige que a Petrobras absorva parte da volatilidade em suas margens.
A alta do petróleo e seus derivados também adiciona um risco considerável à tarifa de energia elétrica no Brasil para 2026. Em períodos de estiagem, o maior acionamento de termelétricas, que utilizam óleo combustível e diesel, pode elevar os custos de geração e, consequentemente, impactar a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e as tarifas finais. O Brent, referência internacional, negocia a US$ 98,38, e o WTI a US$ 90,47 nesta sexta-feira (24), evidenciando o cenário de incerteza.
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