Equinor conclui gasoduto ultraprofundo e entrega 1º poço do Projeto Raia
A Equinor avançou no Projeto Raia, na Bacia de Campos, com a conclusão da instalação de 186 quilômetros do gasoduto em águas ultraprofundas, que atingiu a profundidade recorde de 2.735 metros, e a entrega do primeiro poço produtor. A iniciativa, que prevê escoar 16 milhões de m³/dia de gás a partir de 2028, se destaca pela inovação de especificar o gás em alto-mar, eliminando a necessidade de uma planta de processamento em terra.
A Equinor comunicou nesta sexta-feira (7) a conclusão de marcos operacionais para o Projeto Raia, na Bacia de Campos. Entre eles, destacam-se a instalação de 186 quilômetros do trecho em águas ultraprofundas do gasoduto de escoamento e a entrega do primeiro poço produtor, o PDA-P14. O gasoduto alcançou a profundidade recorde de 2.735 metros, o que o posiciona como o mais profundo do mundo e o conecta à malha de transporte no Terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ), a partir do futuro FPSO.
Com previsão de início das operações em 2028 e capacidade para escoar 16 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, o Projeto Raia introduz uma inovação tecnológica no Brasil: a especificação do gás natural em alto-mar. Essa abordagem elimina a necessidade de uma planta de processamento em terra, permitindo a entrega direta do insumo ao sistema de transporte. O projeto é operado pela Equinor (35%), em parceria com a Repsol Sinopec Brasil (35%) e a Petrobras (30%).
O volume de gás a ser escoado pelo Projeto Raia tem potencial para suprir até 15% da demanda total projetada de gás do Brasil, o que é estratégico para a segurança energética do país, impulsionando a oferta para a indústria e o parque termelétrico. Além disso, a Firjan estimou em janeiro de 2025 que o projeto pode gerar cerca de R$ 54 bilhões em royalties e participações especiais ao longo de seu desenvolvimento.
No entanto, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) manteve em janeiro de 2026 a decisão de unificar os reservatórios de Raia Manta e Raia Pintada como um único campo, negando recurso da Equinor. A agência baseou sua interpretação na Lei do Petróleo (nº 9.478/1997), o que pode ter implicações fiscais para a operadora e seus parceiros, que defendiam a separação dos ativos. A cadeia de suprimentos do gasoduto envolveu a Tenaris, com tubos de aço nacional, e a Saipem, responsável pela instalação marítima.
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