Engie Brasil Energia pede registro de follow-on de até R$ 10,5 bilhões para Jirau
A Engie Brasil Energia protocolou na CVM um pedido de registro automático para uma oferta pública primária de ações (follow-on) que pode movimentar até R$ 10,5 bilhões. A maior parte dos recursos será destinada à aquisição de 40% da Usina Hidrelétrica de Jirau, um ativo de geração firme que fortalecerá a posição da companhia no setor elétrico.
A Engie Brasil Energia protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de registro automático para uma oferta pública primária de ações (follow-on) com potencial de captação de até R$ 10,5 bilhões. O principal objetivo da operação é financiar a aquisição de 40% da Usina Hidrelétrica (UHE) de Jirau, ativo avaliado em R$ 5,744 bilhões, consolidando a presença da companhia em geração hidrelétrica de grande porte.
A oferta prevê a emissão inicial de aproximadamente 178,7 milhões de novas ações ordinárias. Conforme a demanda do mercado, há um potencial de acréscimo de até 82,8% sobre esse volume inicial, correspondendo a 147,98 milhões de ações adicionais. Os recursos excedentes, após a integralização da participação em Jirau, serão direcionados para fortalecer a estrutura de capital da Engie, reduzir sua alavancagem e ampliar a flexibilidade financeira da companhia.
A controladora Engie Brasil Participações (EBP) já se comprometeu a subscrever R$ 5,744 bilhões da oferta, garantindo a integralização de sua participação na Jirau Energia. Embora esse compromisso confira solidez à operação, os acionistas atuais da EGIE3 que optarem por não participar da subscrição das novas ações enfrentarão diluição em sua fatia no capital social da companhia.
O pedido de registro automático da oferta foi protocolado na CVM em 6 de julho de 2026. Os acionistas da EGIE3 terão um período de prioridade para subscrever as novas ações, que se estende de 6 a 10 de julho de 2026. A precificação das ações, a ser definida por meio do processo de bookbuilding, está agendada para 14 de julho, com a liquidação financeira da oferta prevista para 17 de julho.
A operação está em conformidade com as regulamentações da CVM para ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários, como a Resolução CVM 160, caracterizando-se como um pedido de registro automático de distribuição primária. A decisão de adquirir os 40% da UHE Jirau, atualmente detidos pela EBP, foi um passo estratégico aprovado pelos acionistas da Engie Brasil Energia em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada em junho de 2026.
Embora esta operação de financiamento corporativo não gere impacto direto em tarifas, encargos setoriais (como TUSD/TUST ou ESS) ou em mecanismos de mercado (PLD, lastro, ACL, ACR), a aquisição da participação em Jirau fortalece a Engie em ativos de geração firme e contratada de longo prazo. A UHE Jirau, com 3.750 MW de capacidade instalada, é um dos maiores empreendimentos hidrelétricos do país, e sua consolidação no portfólio da Engie Brasil Energia deve ampliar a previsibilidade do fluxo de caixa da empresa.
Essa estratégia de mercado de capitais visa aprimorar a estrutura de capital da companhia, reduzir a alavancagem e proporcionar maior flexibilidade financeira. A incorporação de um ativo de grande porte e com contratos de longo prazo é percebida pelo mercado como um movimento que contribui para a estabilidade e a percepção de solidez da Engie, fator valorizado por investidores.
A oferta é direcionada a investidores profissionais e conta com a coordenação de um consórcio de bancos de investimento. Itaú BBA, Santander, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley lideram o processo, atuando sob a supervisão da CVM para assegurar a conformidade regulatória na distribuição das ações.
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