Seca no Norte: ANP acompanha abastecimento de combustíveis e analisa planos de contingência
A ANP intensifica o acompanhamento do abastecimento de combustíveis na Região Norte para mitigar os riscos da estiagem de 2026, associada ao fenômeno El Niño. A agência analisa planos de contingência de grandes distribuidoras. A ação preventiva, iniciada no primeiro semestre, visa garantir a segurança logística e evitar desabastecimento, com reuniões detalhadas com os agentes ocorrendo esta semana.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reforça o acompanhamento do abastecimento de combustíveis na Região Norte, como ação preventiva para mitigar os riscos da estiagem de 2026, associada ao fenômeno El Niño. O trabalho, que se tornou anual desde 2023, foca na análise dos planos de contingência dos principais agentes do setor, visando evitar cenários de desabastecimento, como os observados em secas históricas recentes.
A iniciativa da ANP para 2026 começou no primeiro semestre, com a solicitação e o recebimento dos planos de contingência das empresas que atuam na distribuição e revenda de combustíveis na região. Os agentes envolvidos incluem Amazongás, Fogás, Atem’s, Vibra, Raízen, Ipiranga, Equador, REAM e Petrobras, cujas operações são cruciais para a capilaridade do suprimento na região.
Os documentos encaminhados pelas companhias estão sob análise da agência reguladora e servirão de base para a elaboração do "Relatório de Abastecimento da Região Norte 2026". Este relatório consolidará as principais medidas adotadas pelos agentes, identificará pontos de atenção e oportunidades de melhoria, e apontará eventuais ações adicionais necessárias para a manutenção do abastecimento durante o período crítico da estiagem.
A atuação da ANP transcende a esfera regulatória direta, por meio de uma robusta coordenação interinstitucional. Desde 9 de abril de 2026, a agência realiza reuniões com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para monitorar a evolução das condições hídricas da região e seus potenciais impactos na logística de transporte fluvial de combustíveis.
Paralelamente, a ANP participou das discussões coordenadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para a elaboração de planos de contingência dos sistemas isolados de energia elétrica na Amazônia Legal. As discussões sobre os estados do Amazonas foram concluídas em 22 de junho de 2026, e as referentes ao Acre e Rondônia, em 1º de julho de 2026, dada a alta dependência desses sistemas do óleo diesel para geração.
No âmbito das ações integradas do Governo Federal, a ANP também se integrou, em 7 de julho de 2026, à sala de acompanhamento coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O fórum centraliza o monitoramento da situação da Região Norte durante o período de estiagem, garantindo uma resposta coordenada entre os diversos órgãos e ministérios.
O histórico recente valida a abordagem preventiva da agência. A ANP acompanhou as duas maiores secas já registradas na Região Norte desde 2023, sem ocorrências de desabastecimento de combustíveis. Essa experiência acumulada serve de base para o aprimoramento contínuo dos planos de contingência e da coordenação entre os agentes públicos e privados.
Na próxima etapa do acompanhamento de 2026, a ANP realiza, entre os dias 6 e 10 de julho de 2026, reuniões individuais com todos os agentes participantes. O objetivo é aprofundar a discussão sobre os planos de contingência apresentados, avaliar as ações previstas e identificar eventuais medidas adicionais necessárias para garantir a resiliência da cadeia de suprimento na região.
Até o momento, não há informações concretas sobre impactos diretos e quantificados em tarifas ou encargos de energia. Contudo, a atuação preventiva da ANP busca justamente evitar disrupções logísticas que poderiam, indiretamente, pressionar os custos. A segurança do abastecimento de combustíveis na Região Norte é vital não apenas para o transporte, mas também para a geração de energia em sistemas isolados, altamente dependentes do diesel.
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