IAEA projeta triplicação da capacidade nuclear global até 2060, impulsionada por IA
A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) projeta que a capacidade global de energia nuclear pode mais que triplicar até 2060, atingindo 1.284 GW(e), impulsionada pela demanda de inteligência artificial e pela busca por segurança energética. A projeção, divulgada nesta segunda-feira (14/09), é a sexta revisão consecutiva para cima.
A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) projeta que a capacidade global de geração nuclear pode mais que triplicar até 2060, alcançando 1.284 GW(e) em seu cenário de alta expansão. A projeção, divulgada nesta segunda-feira (14/09) durante a 70ª Conferência Geral da agência, reflete uma crescente demanda por energia firme e de baixa emissão de carbono, especialmente para centros de dados de inteligência artificial, além da busca por segurança energética e descarbonização.
O novo patamar projetado para 2060 contrasta com os 377,1 GW(e) registrados no final de 2025. Para 2050, a estimativa da IAEA é de 1.045 GW(e), superando a projeção de 992 GW(e) do ano anterior, conforme detalhado na 46ª edição do relatório anual 'Energy, Electricity and Nuclear Power Estimates for the Period up to 2060'. Esta é a sexta vez consecutiva que a agência revisa para cima suas expectativas de expansão da energia nuclear, consolidando uma mudança global na percepção sobre o papel estratégico da fonte.
Os Pequenos Reatores Modulares (SMRs) são apontados como um vetor significativo para essa expansão, podendo responder por 28% de toda a nova capacidade nuclear adicionada até 2060 no cenário de alta. Regionalmente, a participação dos SMRs pode chegar a 60% na América do Norte e 40% na América Latina e Caribe, bem como no Sudeste Asiático. O relatório destaca a formação de uma “aliança estrutural” entre “átomos para algoritmos”, com a demanda de centros de dados de inteligência artificial criando um novo e robusto motor para a nuclear.
Apesar do otimismo, o Diretor-Geral da IAEA, Rafael Mariano Grossi, enfatizou a importância do investimento contínuo em novas capacidades e na extensão da vida útil dos reatores existentes. A agência busca parcerias, como com o Grupo Banco Mundial, para desbloquear capital para energia limpa, especialmente em economias emergentes e em desenvolvimento, sinalizando que a mobilização de financiamento ainda representa um desafio crucial para a materialização dessas projeções.
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