Indústria: 41% migrou para o mercado livre em dois anos, aponta CNI
Quase metade da indústria brasileira, 41%, migrou para o Mercado Livre de Energia (MLE) nos últimos dois anos, impulsionada pela busca por custos mais baixos e maior previsibilidade. O dado é da "Sondagem Especial Indústria e Energia 2026", divulgada nesta quinta-feira (30) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou, em sua "Sondagem Especial Indústria e Energia 2026" divulgada nesta quinta-feira (30), que 41% da indústria brasileira já migrou para o Mercado Livre de Energia nos últimos dois anos. O movimento reflete a busca por uma conta de luz mais barata e maior previsibilidade orçamentária, com 73% dos empresários que já fizeram a transição relatando redução nos custos com energia elétrica.
O principal catalisador para essa migração foi a Portaria MME nº 50/2022, que ampliou o acesso ao Mercado Livre para todos os consumidores conectados em alta e média tensão (Grupo A) a partir de janeiro de 2024, independentemente do volume de consumo. Antes, a migração era restrita a grandes consumidores. A pesquisa da CNI aponta que a economia pode chegar a 30% na conta de luz, além da possibilidade de negociar contratos de longo prazo com tarifas fixas ou indexadas, blindando o consumidor das flutuações e bandeiras tarifárias do mercado cativo.
A saída de um volume tão expressivo de consumidores industriais, um segmento de alta demanda, reconfigura a dinâmica tanto do Ambiente de Contratação Livre (ACL) quanto do Ambiente de Contratação Regulada (ACR). No ACR, a tendência é que os encargos setoriais remanescentes, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), se concentrem sobre os consumidores cativos, potencialmente elevando suas tarifas. No ACL, o aumento da base de consumidores amplia a liquidez e a diversidade de perfis de carga, mas também intensifica a concorrência entre comercializadoras e geradores.
Contudo, a expansão do Mercado Livre também expõe desafios. A volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que atingiu picos como R$ 325,00/MWh no submercado Sudeste/Centro-Oeste em março de 2026, representa um risco contínuo para a precificação de contratos e a saúde financeira das comercializadoras. Além disso, o setor elétrico ainda lida com o *curtailment* — o corte de geração por restrições de transmissão —, que gerou prejuízos de R$ 6 bilhões em 2025, afetando a viabilidade de projetos renováveis e a segurança jurídica do ambiente de contratação.
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