Cela e IFC lançam programa para capacitar bancos em financiamento de baterias na América Latina
A Clean Energy Latin America (Cela) e a International Finance Corporation (IFC) anunciaram um programa de capacitação para bancos e investidores, visando o financiamento de projetos de armazenamento de energia com baterias na América Latina. A iniciativa surge em um contexto de consolidação regulatória no Brasil e da projeção do BNDES de disponibilizar até R$ 34 bilhões para os leilões de dezembro, dedicados à tecnologia.
A Clean Energy Latin America (Cela) e a International Finance Corporation (IFC) anunciaram um programa de capacitação para bancos e investidores, com o objetivo de prepará-los para financiar projetos de armazenamento de energia com baterias na América Latina. O comunicado da IFC, divulgado nesta quinta-feira (11/09), ressalta a necessidade de preencher uma lacuna de conhecimento técnico e financeiro no setor, especialmente diante da projeção do BNDES de disponibilizar até R$ 34 bilhões para os leilões de reserva de capacidade agendados para dezembro, focados nesta tecnologia.
Essa parceria se alinha à recente consolidação do arcabouço regulatório brasileiro para o armazenamento, que reconheceu formalmente a atividade no setor elétrico por meio da Lei nº 15.269/2025. A Portaria Normativa MME nº 136/2026, de 3 de junho, estabeleceu as diretrizes para o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) focado em Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE), criando um mercado específico. As Resoluções Normativas (REN) nº 1.161/2026 e nº 1.162/2026 da ANEEL, publicadas em 24 de junho, detalham as regras operacionais e tarifárias, incluindo a outorga de autorização e a incidência de tarifa apenas sobre a energia descarregada para baterias totalmente despachadas pelo ONS.
A projeção do BNDES de R$ 34 bilhões em linhas de crédito, como Fundo Clima e BNDES Mais Inovação, para os leilões de dezembro, reforça a disponibilidade de recursos para o setor. O programa da Cela e IFC busca, assim, atuar como um facilitador, garantindo que as instituições financeiras estejam aptas a estruturar e acessar esses financiamentos, que podem incluir condições favoráveis como o custo de 6,5% a.a. do Fundo Clima. Essa capacitação é fundamental para que os recursos sejam efetivamente aplicados, impulsionando o CAPEX e a implantação de nova infraestrutura de armazenamento no país.
Apesar do cenário promissor, o setor acompanha com atenção alguns pontos de risco. A ANEEL planeja repassar os custos dos sistemas de armazenamento contratados nos LRCAPs para os contratos do mercado regulado (CCEARs, CERs, CRCaps), o que pode impactar as tarifas dos consumidores cativos. Além disso, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) expressou preocupação com a possibilidade de dupla cobrança pelo uso da rede para sistemas autônomos que não sejam totalmente despachados pelo ONS. Tal medida poderia encarecer a tecnologia e limitar sua aplicação fora do ambiente de leilões, afetando a viabilidade de projetos menores e a disseminação no mercado livre.
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