BNDES projeta R$ 34 bi para financiamento de baterias em leilão
O BNDES estima disponibilizar até R$ 34 bilhões em linhas de crédito para financiar projetos de armazenamento de energia em baterias (BESS) nos primeiros leilões dedicados à tecnologia. A iniciativa, que inclui exigências de conteúdo local, visa impulsionar a cadeia produtiva nacional e mitigar a intermitência de fontes renováveis, com leilões previstos para dezembro de 2026.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) projeta a disponibilização de até R$ 34 bilhões em suas linhas de crédito incentivadas para financiar projetos de armazenamento de energia em baterias (BESS), em preparação para o primeiro leilão específico para esta tecnologia no Brasil. A estimativa, apurada pelo Radar Energia junto ao banco, aponta o Fundo Clima como principal veículo, oferecendo taxa de 6,5% ao ano e um limite de R$ 1 bilhão por grupo econômico a cada 12 meses, incentivando a diversificação de fontes de financiamento. A linha BNDES Mais Inovação também apoiará o desenvolvimento tecnológico e o fortalecimento da cadeia produtiva nacional de baterias.
Os Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) de 2026, com duas modalidades específicas para sistemas de armazenamento em baterias, estão agendados para dezembro. O LRCAP 2026 – Armazenamento Nacional (Produto 2028 A), em 2 de dezembro, será exclusivo para projetos com conteúdo nacional, exigindo um percentual mínimo de 15% e elevação gradual nos anos seguintes. Já o LRCAP 2026 – Armazenamento (Produto 2028 B), em 4 de dezembro, estará aberto a projetos sem exigência de nacionalização. Os contratos terão duração de 15 anos, com início de suprimento em 1º de agosto de 2028, conforme a Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026.
Geradores de energia são os principais beneficiados, buscando mitigar a intermitência de fontes renováveis e reduzir o 'curtailment'. Desenvolvedores de projetos precisarão se adequar às regras de conteúdo local para participar da modalidade nacional e acessar as linhas incentivadas do BNDES, que já credenciou fabricantes como WEG, Moura e BYD. Contudo, executivos do BNDES reconhecem que os R$ 34 bilhões podem ser insuficientes diante de uma demanda potencial considerada 'explosiva', indicando a necessidade de outras fontes de financiamento, como mercado de capitais e multilaterais.
Apesar do encargo anual do leilão de baterias ser estimado em R$ 3 bilhões, representando cerca de 1% da tarifa para os consumidores, a manutenção de uma elevada tarifa de importação sobre os equipamentos de baterias pode encarecer a energia e afastar investidores. O BNDES busca equalizar o custo local para projetos com conteúdo nacional. Adicionalmente, embora a Lei 15.269/2025 determine que os custos da contratação de sistemas de armazenamento sejam rateados entre as empresas geradoras, a forma exata desse rateio ainda está em discussão na ANEEL, adicionando um risco regulatório ao setor.
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