ONS atualiza dados do SIN com MMGD e detalha gestão de excedentes
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizou em 19 de julho os dados de carga e geração do SIN, incorporando a estimativa da micro e minigeração distribuída (MMGD) para aprimorar a representação da carga total. A medida se alinha à intensificação da gestão de excedentes de geração, incluindo cortes em usinas conectadas à rede de distribuição.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizou em 19 de julho de 2026 os dados de carga e geração do Sistema Interligado Nacional (SIN), aprimorando sua metodologia para incluir a estimativa da micro e minigeração distribuída (MMGD). Essa incorporação, em curso desde abril de 2023, visa melhorar a previsão da GD e aumentar a segurança da operação e o planejamento elétrico, diante da crescente penetração de fontes intermitentes na matriz.
A atualização dos dados reforça a postura mais ativa do ONS na gestão de excedentes de geração, resultando nos primeiros cortes em usinas conectadas à rede de distribuição, incluindo MMGD, efetuados em 7 de junho de 2026. A Advocacia-Geral da União (AGU) já havia respaldado, em fevereiro de 2026, a legalidade de cortes físicos emergenciais de MMGD para segurança operativa. Contudo, a AGU indica a necessidade de consulta pública específica da ANEEL para cortes ordinários.
A expansão da MMGD, impulsionada pelo Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), tem aprofundado o "vale da carga líquida" no SIN. Esse cenário demanda maior flexibilidade das fontes despacháveis e pode elevar a volatilidade do PLD. Em 2025, os subsídios relacionados à MMGD somaram R$ 16 bilhões, equivalendo a 5% da tarifa média residencial. Tal montante tem gerado críticas sobre a "espiral da morte" tarifária para consumidores cativos remanescentes.
O Plano da Operação Energética (PEN) 2026-2030 do ONS projeta que a participação conjunta de solar fotovoltaica e MMGD deve alcançar 31,7% da matriz elétrica em 2030. Essa projeção exige maior flexibilidade do sistema e a continuidade de leilões anuais de capacidade. Geradores de MMGD agora enfrentam um novo risco de curtailment, o que pode impactar a receita esperada e a atratividade de novos projetos. Paralelamente, o ONS desenvolve um Esquema Regional de Alívio de Geração (ERAG) para cortes automáticos.
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