Consumo de eletricidade avança 3,7% em julho, impulsionado por residências e comércio
O consumo nacional de eletricidade cresceu 3,7% em julho de 2026, alcançando 46.841 GWh, o quarto aumento mensal consecutivo. Dados da EPE indicam que os setores residencial e comercial impulsionaram a alta, com expansões de 7,0% e 6,3%, respectivamente. O mercado livre também registrou forte expansão.
O consumo nacional de eletricidade registrou um crescimento de 3,7% em julho de 2026, totalizando 46.841 GWh, marcando o quarto mês consecutivo de alta. Os dados, divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em sua Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, apontam que os setores residencial e comercial foram os principais impulsionadores dessa expansão, com aumentos de 7,0% e 6,3%, respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2025.
A dinâmica do mercado livre (ACL) segue transformando a composição do setor, respondendo por 46,6% do consumo nacional em julho, com 21.849 GWh. O ambiente de contratação livre registrou um avanço de 4,0% no consumo e um salto de 19,7% no número de consumidores, impulsionado pela Portaria MME 50/2022, que abriu o mercado para o Grupo A em janeiro de 2024. Já o mercado regulado (ACR) representou 53,4% do total, com 24.992 GWh, crescendo 3,4% no consumo e 2,0% na base de consumidores. Todas as regiões do país expandiram seu consumo, com destaque para o Norte, que avançou 7,1% no total e 7,4% no ACL.
Esse crescimento robusto e contínuo da demanda, que superou a projeção inicial do ONS de 2,3% para julho, alinha-se às expectativas de longo prazo da EPE, ONS e CCEE de um avanço médio anual de 4,0% na carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) até 2030. A demanda aquecida tende a pressionar o balanço oferta-demanda, elevando a necessidade de despacho de termelétricas e, consequentemente, o Custo Marginal de Operação (CMO) e o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) nos submercados.
Para comercializadores e geradores do ACL, o cenário é favorável, com o aumento da demanda e da base de consumidores ampliando as oportunidades de contratação e a liquidez do mercado. Em contrapartida, consumidores cativos sentem a pressão sobre as tarifas, como a bandeira tarifária amarela vigente em julho, que adicionou R$ 1,885 a cada 100 kWh, reforçando o incentivo econômico à migração. O crescimento acima das projeções do ONS eleva o risco de um balanço energético mais apertado no curto e médio prazos.
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