ONS projeta reservatórios de Norte, Nordeste e Sul acima de 60% em junho
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima que os reservatórios das regiões Norte, Nordeste e Sul do Sistema Interligado Nacional (SIN) encerrarão junho com mais de 60% de energia armazenada. A projeção, divulgada no Sumário Executivo do Programa Mensal de Operação (PMO), consolida um cenário hídrico favorável e de maior segurança energética para o país.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta que os reservatórios das regiões Norte, Nordeste e Sul do Sistema Interligado Nacional (SIN) encerrarão junho com mais de 60% de energia armazenada. A estimativa, divulgada no Sumário Executivo do Programa Mensal de Operação (PMO) e no Informe Preliminar Diário da Operação (IPDO) desta semana, consolida a recuperação hídrica robusta do setor elétrico brasileiro.
A projeção reflete uma recuperação expressiva dos níveis de armazenamento, especialmente após a severa crise hídrica de 2021. Naquele ano, o país foi forçado a acionar termelétricas com custos elevados, gerando temores de racionamento. Desde então, a gestão aprimorada dos recursos hídricos, aliada a um período úmido favorável em 2023/2024, permitiu a recomposição gradual e sustentada da capacidade de geração hidrelétrica nacional.
A relevância desses dados é amplificada pela participação da energia hidrelétrica, que responde por cerca de 60% da matriz elétrica brasileira, com uma capacidade instalada superior a 110 GW. Embora o comunicado não detalhe as projeções específicas para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o maior do país e central para o SIN, os níveis atuais da região também se mantêm confortáveis, atualmente acima de 70%, contribuindo para a segurança energética nacional.
Em contraste com a crise hídrica de 2021, quando os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste atingiram mínimos históricos próximos de 20%, a situação atual demonstra maior resiliência do sistema. A recuperação dos níveis de armazenamento indica que o Brasil conseguiu mitigar os riscos de racionamento e de custos elevados, cenário que se repetiu em menor escala em outros anos secos, como 2014.
Como coordenador e controlador da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no SIN, o ONS elabora projeções que são insumos cruciais para o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Esses dados subsidiam a formulação de políticas e regulamentações do setor. As geradoras hidrelétricas são diretamente impactadas pelas diretrizes de despacho do ONS, e os consumidores, tanto do mercado cativo quanto do livre, beneficiam-se de um sistema mais estável e com menores custos.
A atuação do ONS e a gestão estratégica dos reservatórios são regidas pela Lei nº 9.648/1998, que instituiu o Operador, e por um conjunto de resoluções da ANEEL e portarias do MME. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), presidido pelo MME, utiliza os dados do ONS, como os do PMO e do Sumário Executivo do IPDO, para avaliar a segurança do suprimento. Com base nessas projeções de armazenamento, o CMSE propõe medidas como o acionamento de termelétricas ou a importação de energia.
A manutenção de altos níveis de energia armazenada nos reservatórios reduz a necessidade de despacho de usinas termelétricas, que operam com custos mais elevados. Essa condição exerce pressão de baixa sobre o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), resultando em custos de energia mais competitivos para o mercado livre. Indiretamente, isso se traduz em bandeiras tarifárias mais favoráveis para os consumidores do mercado cativo e impulsiona a transição energética, ao privilegiar fontes renováveis.
Um cenário hídrico favorável não apenas reduz custos, mas também contribui para a segurança do suprimento e para a diminuição da pegada de carbono do setor elétrico brasileiro. A experiência de 2021 impulsionou maiores investimentos em fontes complementares, como solar e eólica. Contudo, a hidrelétrica permanece como a base do sistema, e seu bom desempenho é fundamental para a estabilidade.
O ONS continuará a divulgar semanalmente o Boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) e o Sumário Executivo do IPDO, atualizando as projeções e as condições operacionais do SIN. Essas informações são cruciais para as próximas reuniões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). O Comitê deverá ajustar as diretrizes de despacho e planejar a operação para o próximo período seco, que se intensifica a partir de julho, além de influenciar decisões sobre a participação de termelétricas em futuros leilões de energia e a gestão de contratos.
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