Petróleo Brent e WTI caem com alívio de tensões EUA-Irã; defasagem no Brasil persiste
Os contratos futuros de petróleo Brent e WTI registraram forte queda, com o WTI fechando abaixo de US$ 80, impulsionados pelo alívio das tensões entre Estados Unidos e Irã. No entanto, a defasagem dos preços dos combustíveis nas refinarias brasileiras permaneceu elevada, mantendo a pressão sobre a política de preços da Petrobras.
Os contratos futuros de petróleo estenderam as perdas da véspera e fecharam em queda acentuada nesta terça-feira (28). O tipo Brent para setembro recuou 4,83%, para US$ 84,09 por barril na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, referência americana, com entrega para o mesmo mês, cedeu 4,06%, cotado a US$ 79,26 por barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), marcando o fechamento abaixo da barreira dos US$ 80.
A principal causa da desvalorização foi o alívio das tensões e a pausa nos ataques entre os Estados Unidos e o Irã, gerando esperanças de avanços diplomáticos e negociações para o fim do conflito no Oriente Médio. A retomada do tráfego no estreito de Bab el-Mandeb também contribuiu para o cenário de menor prêmio de risco, revertendo a tendência de alta observada nas semanas anteriores.
Apesar da queda do petróleo no mercado internacional, a defasagem dos preços dos combustíveis nas refinarias brasileiras permaneceu elevada, segundo dados da Abicom. Em 24 de julho, o diesel registrava uma defasagem média de 58% no país, atingindo 69% nas refinarias da Petrobras, com uma diferença de R$ 2,27 por litro. A gasolina apresentava defasagem de 45% na média nacional e 54% nas unidades da estatal.
A Petrobras, principal refinadora do país, não reajusta o diesel desde 1º de junho, quando reduziu o preço em R$ 0,35 por litro, e a gasolina desde 29 de maio, com um aumento de R$ 0,48 por litro. Em contraste, a Refinaria de Mataripe (Acelen) demonstra maior alinhamento com o mercado externo, com o diesel alinhado e a gasolina com defasagem de apenas 1% após reajustes recentes, conforme apuração do Broadcast.
Para amortecer o impacto dos preços, o governo mantém uma subvenção para o diesel de R$ 1,12 por litro. Em resposta ao cenário de alta de preços e defasagem anterior, a Petrobras operou suas refinarias a 101,2% da capacidade no segundo trimestre de 2026, um recorde de utilização. Essa estratégia visou minimizar as perdas pela venda de produtos com defasagem no mercado interno, resultando na redução das importações de combustíveis para o menor volume trimestral de sua história, com 67 mil barris por dia.
A queda do petróleo internacional, se sustentada, pode aliviar a pressão sobre os custos de importação e potencialmente reduzir a necessidade de subvenções futuras, beneficiando o Tesouro e, indiretamente, o consumidor final, caso a defasagem seja reduzida. No entanto, a incerteza geopolítica no Oriente Médio permanece elevada, com tensões entre os Houthis e a Arábia Saudita no Mar Vermelho, representando um risco constante de reversão da tendência de queda dos preços.
A desaceleração da inflação em julho, impulsionada pela queda das commodities, pode abrir espaço para futuras decisões sobre a taxa Selic, embora o impacto macroeconômico dependa de múltiplos fatores.
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