Restrições do ONS intensificam riscos para cogeração, alerta Cogen
A Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) alertou que as restrições de exportação de energia elétrica impostas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), conhecidas como curtailment, intensificam os riscos ao modelo de cogeração no Brasil. A entidade defende que as especificidades do setor, que responde por 10% da matriz elétrica, não são adequadamente contempladas na regulamentação atual.
A Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) expressou preocupação com a crescente aplicação de restrições à exportação de energia elétrica pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), prática conhecida como curtailment. Segundo a entidade, essa medida intensifica os riscos ao modelo de negócio da cogeração, um setor que representa cerca de 10% da matriz elétrica brasileira e possui características operacionais distintas de outras fontes.
Historicamente, o curtailment tem sido utilizado pelo ONS para gerenciar excedentes de energia ou gargalos na transmissão, impactando principalmente fontes intermitentes como eólica e solar. Contudo, a imposição dessas restrições a usinas de cogeração, que somam mais de 18 GW de capacidade instalada e operam com maior previsibilidade e despachabilidade, compromete a segurança jurídica e econômica desses empreendimentos.
A principal argumentação da Cogen reside no fato de que as regras atuais de ressarcimento por restrição de operação, como as estabelecidas pela Resolução Normativa ANEEL nº 954/2021, não contemplam adequadamente as particularidades da cogeração. Muitos projetos são viabilizados pela demanda térmica de processos industriais, com a geração elétrica excedente atuando como um subproduto comercializável. A limitação dessa exportação afeta diretamente a receita e a sustentabilidade financeira das usinas.
A crescente incidência de restrições de despacho impacta diretamente a receita das usinas, que dependem da venda do excedente elétrico para amortizar investimentos e garantir a viabilidade operacional. Essa situação pode desincentivar a expansão da capacidade existente e frear novos projetos em uma fonte que contribui significativamente para a eficiência energética do país, ao aproveitar subprodutos industriais ou combustíveis para gerar eletricidade e calor simultaneamente.
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