Usinas reversíveis avançam na pauta de flexibilidade do sistema elétrico
A necessidade de flexibilidade no sistema elétrico brasileiro, acentuada pela expansão de fontes renováveis intermitentes, coloca as usinas hidrelétricas reversíveis no centro da discussão. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) as enxerga como uma solução crucial para gerenciar a volatilidade da matriz, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia (MME) debatem o arcabouço regulatório para viabilizar esses projetos.
As usinas hidrelétricas reversíveis emergem como uma solução estratégica para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que busca maior flexibilidade operacional para equilibrar a crescente participação de fontes renováveis intermitentes na matriz. Essa tecnologia, capaz de bombear água para reservatórios superiores em momentos de excedente de energia e gerar eletricidade em picos de demanda, é um pilar essencial para a estabilização da rede, o controle de frequência e a garantia da segurança do suprimento na rápida transição energética do país.
A demanda por essa capacidade de resposta rápida e armazenamento em larga escala intensificou-se a partir de 2015, impulsionada pela grande inserção de parques eólicos e, mais recentemente, de usinas solares fotovoltaicas. Com uma matriz elétrica que já supera 80% de fontes renováveis, e capacidades instaladas de eólica e solar ultrapassando 25 GW e 30 GW, respectivamente, em 2023, o sistema brasileiro enfrenta desafios operacionais crescentes para compensar as flutuações e a variabilidade dessas gerações, evitando sobrecargas, deficiências na rede e a necessidade de despachar termelétricas mais caras.
Embora a discussão sobre o potencial das usinas reversíveis no Brasil seja antiga, ela ganhou nova urgência nos últimos cinco anos, posicionando-se como parte fundamental da estratégia de descarbonização e segurança energética do país. O Brasil, detentor de um vasto potencial hidrelétrico com cerca de 110 GW já instalados, possui inúmeros sítios com características geográficas e hídricas favoráveis. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já identificou esses locais como potenciais para o desenvolvimento desses empreendimentos, embora ainda sem quantificar a capacidade de armazenamento necessária em megawatts ou gigawatts-hora.
Um dos principais entraves para o avanço e a materialização desses projetos é a ausência de um marco regulatório específico e um modelo de negócio claro para o armazenamento de energia em larga escala. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) tem intensificado as discussões sobre a regulamentação de serviços ancilares — categoria que abrange a flexibilidade, o controle de tensão e o suporte de frequência, onde as usinas reversíveis se encaixam —, mas uma definição clara, que estabeleça mecanismos de remuneração adequados e incentive os investimentos, ainda está em construção e representa uma barreira regulatória significativa.
Nesse complexo cenário, o ONS atua como o principal demandante por recursos de flexibilidade, definindo os requisitos operacionais e as necessidades de despacho rápido que a rede exige para manter sua confiabilidade. O Ministério de Minas e Energia (MME) e a EPE, por sua vez, são os órgãos responsáveis por integrar essas soluções no planejamento energético de longo prazo do país, como o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE). Empresas geradoras como Furnas e Chesf, que já possuem vasta experiência na operação de grandes complexos hidrelétricos, são vistas como potenciais desenvolvedoras e operadoras de futuros projetos reversíveis, dada sua expertise e infraestrutura existente.
A implementação de usinas reversíveis gerará um impacto significativo e multifacetado, com reflexos diretos na estabilização da tarifa de energia ao consumidor final. Ao permitir o armazenamento de energia barata e renovável e sua injeção no sistema em momentos estratégicos, essas usinas reduzem a dependência e a necessidade de despachar termelétricas mais caras e poluentes em picos de demanda ou em períodos de baixa geração eólica e solar, mitigando custos e pressões tarifárias. No mercado livre, a maior flexibilidade do sistema tende a diminuir a volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), beneficiando a previsibilidade para geradores, comercializadores e grandes consumidores.
Para a transição energética global e a meta de descarbonização, as usinas reversíveis são cruciais, pois permitem a integração segura e confiável de volumes ainda maiores de fontes renováveis intermitentes na matriz, garantindo a estabilidade do suprimento mesmo diante das variações climáticas. Além disso, elas estimulam investimentos em infraestrutura de armazenamento de energia, um setor-chave para o futuro da eletricidade. A experiência internacional é um forte indicativo: países como Alemanha, Suíça e Estados Unidos utilizam essa tecnologia de forma madura, e a China, por exemplo, tem um ambicioso plano de expansão de pumped hydro, visando mais de 120 GW até 2030, demonstrando a importância estratégica para sistemas elétricos em transição.
Os próximos passos para o Brasil incluem a continuidade das discussões e a finalização das propostas regulatórias na ANEEL, com a expectativa de que consultas e audiências públicas sejam realizadas para coletar contribuições do setor sobre serviços ancilares e armazenamento. Paralelamente, o MME e a EPE devem aprofundar os estudos de viabilidade técnica e econômica para a inclusão formal de projetos de usinas reversíveis nos planos de expansão, pavimentando o caminho para que futuros leilões de energia ou de capacidade contemplem a contratação específica de flexibilidade e armazenamento no médio prazo, abrindo um novo segmento de mercado para a geração e a infraestrutura elétrica.
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Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Sindenergia. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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Como esta matéria foi produzida: conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial a partir de fontes oficiais e/ou públicas, com curadoria editorial do Radar Energia. Sempre que possível, priorizamos documentos, comunicados e dados primários. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.