Mercado global de gás natural em queda; ANP avança na abertura do mercado brasileiro
O mercado global de gás natural registrou queda em 24 de julho, com os preços do NYMEX caindo para US$2,87 por MMBtu, apesar da demanda climática nos EUA e tensões no Oriente Médio. No Brasil, a ANP aprovou novas regras para acesso à infraestrutura e aderiu a um pacto nacional, buscando maior competitividade e redução da concentração no setor.
Os preços do gás natural registraram queda em 24 de julho de 2026, com o contrato de agosto do NYMEX caindo US$0,04 para US$2,87 por MMBtu. A expectativa de maior demanda por resfriamento nos Estados Unidos compensou o crescimento dos estoques, enquanto as tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam a sustentar o mercado global de Gás Natural Liquefeito (GNL). Em paralelo, o Brasil avança na abertura de seu mercado, com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovando novas regras para o acesso de terceiros à infraestrutura essencial de gás.
As disrupções no Estreito de Ormuz, causadas por ataques e bloqueios, provocaram severas interrupções na produção e exportação de GNL do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. Essa situação elevou os preços do TTF na Europa para €63,14/MWh em 24 de julho, o maior nível desde janeiro de 2023, gerando maior competição por cargas entre importadores europeus e asiáticos. A QatarEnergy, por exemplo, declarou força maior para 21 cargas até setembro, impactando a credibilidade de fornecimento e a receita dos exportadores do Oriente Médio, enquanto exportadores dos EUA podem se beneficiar ao redirecionar cargas para mercados com preços mais elevados.
No mercado norte-americano, os preços do Henry Hub estavam em torno de US$2,87-US$2,94/MMBtu em 24 de julho, influenciados pela demanda climática. Esses preços foram limitados pela alta produção de gás seco no Lower 48, que foi de aproximadamente 110,9 Bcf/d, e pelos estoques 6,4% acima da média de cinco anos. Na Europa, os estoques de gás estavam em cerca de 53,7%-54,2% da capacidade em julho, abaixo dos 65% do ano anterior, gerando preocupações para o inverno e pressionando os preços.
No cenário doméstico, a ANP aprovou em 26 de junho as novas regras para o acesso de terceiros a terminais de GNL, gasodutos e unidades de processamento, alinhando-se aos princípios da Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021). Adicionalmente, em 24 de julho, a agência aprovou sua entrada em um pacto nacional para o mercado de gás, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), visando harmonizar regras e impulsionar a abertura do mercado. Essas medidas buscam reduzir a concentração e fomentar novos agentes, endereçando a desvantagem competitiva da indústria nacional.
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