Abicom aponta defasagem de diesel em 58% mesmo com Brent abaixo de US$ 90
A defasagem dos preços de diesel e gasolina no Brasil em relação à paridade de importação permanece elevada, mesmo com a queda do petróleo Brent abaixo de US$ 90 por barril. Dados da Abicom indicam que a diferença para o diesel atingiu 58%, enquanto a gasolina registrou 45% na última sexta-feira (24), segundo a Abegás.
Apesar da recente desvalorização do petróleo Brent, que opera hoje na casa dos US$ 87,14 por barril, a defasagem dos preços dos combustíveis nas refinarias brasileiras segue em patamares elevados. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), divulgado pela Abegás, a diferença em relação ao Preço de Paridade de Importação (PPI) era de 58% para o diesel e 45% para a gasolina na sexta-feira (24).
Nas refinarias da Petrobras, a defasagem média do diesel alcançava 69%, chegando a 72% no porto de Suape. Em contraste, a Refinaria de Mataripe, operada pela Acelen na Bahia, mantinha seus preços praticamente alinhados ao mercado internacional, com defasagem de apenas 1% para o diesel e 2% para a gasolina, após reajustes recentes. A Petrobras tem mantido os preços do diesel congelados desde 1º de junho e da gasolina desde 29 de maio, atuando como amortecedora da volatilidade externa.
Essa política de preços da estatal é viabilizada por subvenções governamentais. Atualmente, há uma subvenção de R$ 1,12 por litro para o diesel, que compensa a diferença entre o preço interno e o internacional, transferindo o custo para o orçamento público. Até 23 de julho, a Petrobras já havia recebido R$ 6,4 bilhões em parcelas do Programa de Subvenção Econômica à comercialização de óleo diesel, instituído pela MP nº 1.340/2026.
Para os importadores, a defasagem torna a operação economicamente inviável, fechando as janelas de compra externa. O cenário levanta preocupações com o abastecimento nacional, uma vez que o Brasil depende da importação de 20% a 30% do diesel que consome, e a menor concorrência pode impactar a segurança energética. A ANP, por sua vez, publicou em 2 de julho as Resoluções nº 1.004/2026 e nº 1.005/2026, que estabelecem critérios para identificar elevação abusiva de preços no atacado e varejo, respectivamente.
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