Abrage defende valorização de atributos da geração para liderar transição energética
A Associação Brasileira de Geradoras de Energia Elétrica (Abrage) defendeu, em seminário no Rio de Janeiro, que o setor de geração lidere a transição energética do país. A entidade propôs quatro frentes, incluindo a valorização justa dos atributos da geração e a garantia de previsibilidade regulatória, para consolidar o Brasil como referência em eletricidade limpa.
A Associação Brasileira de Geradoras de Energia Elétrica (Abrage) defendeu um papel de liderança para o segmento de geração na transição energética do país. Durante seminário no Rio de Janeiro, em 16 de junho, a entidade apresentou sua visão estratégica para o setor, destacando a necessidade de mecanismos que garantam a competitividade e a descarbonização da matriz elétrica brasileira. O evento foi promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em parceria com a PSR e o Instituto E+ Transição Energética.
Para que esse protagonismo da geração seja viável e sustentável, a Abrage apontou quatro frentes fundamentais. A primeira é a valorização justa dos atributos da geração, como capacidade e flexibilidade, por meio de mecanismos de preços eficientes e sem subsídios desordenados. A segunda frente destacada pela associação é a garantia de previsibilidade regulatória e estabilidade institucional, consideradas cruciais para atrair investimentos de longo prazo.
A terceira frente envolve o estímulo à inovação e à flexibilidade, por meio da modernização de ativos existentes e do desenvolvimento de novas tecnologias de armazenamento, como as usinas reversíveis. Por fim, a Abrage ressaltou a importância de fortalecer a eletrificação limpa como o vetor mais rápido e seguro para descarbonizar setores intensivos, a exemplo da indústria, dos transportes, dos data centers e da produção de hidrogênio verde.
A discussão sobre a remuneração de atributos como capacidade e flexibilidade ganhou força com a crescente inserção de fontes intermitentes, como eólica e solar, na matriz elétrica. Historicamente, o sistema hidrelétrico brasileiro, que representa cerca de 60% da capacidade instalada total de 190 GW, forneceu grande parte dessa flexibilidade. No entanto, a expansão de outras fontes e a crescente necessidade de segurança sistêmica renovaram o debate sobre mecanismos de remuneração adequados. Esses mecanismos devem estar alinhados à agenda de modernização do setor elétrico e buscar evitar distorções, como os encargos setoriais que somaram mais de R$ 30 bilhões em 2023.
A entidade sintetizou sua visão de futuro para o setor em um direcionamento claro: “Manter o que já é exemplar, corrigir o que gera distorções e planejar o que ainda precisa evoluir”. A Abrage reforçou que o Brasil, com sua matriz elétrica cerca de 85% renovável, possui todas as condições para consolidar-se como uma referência mundial em eletricidade limpa, competitiva e resiliente, com o setor de geração pronto para capitanear esse movimento.
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