Alupar arremata lote de transmissão em São Paulo com deságio de 52% em relicitação
A Alupar, por meio do Consórcio Olympus XX, venceu o Lote 7 do Leilão de Transmissão ANEEL nº 01/2026 – 2ª Etapa, assegurando a concessão para construir uma subestação e linhas de transmissão na Região Metropolitana de São Paulo. A oferta de R$ 96,72 milhões em Receita Anual Permitida (RAP) representou um deságio expressivo de 52% sobre o teto regulatório, prometendo alívio tarifário aos consumidores e reforço crucial para a segurança do suprimento na região.
A Alupar Investimento (ALUP11) venceu o Lote 7 do Leilão de Transmissão ANEEL nº 01/2026 – 2ª Etapa, conforme comunicado pela companhia em 3 de julho de 2026. A vitória garante a concessão para um projeto de infraestrutura elétrica vital na Região Metropolitana de São Paulo e ABC Paulista. O Consórcio Olympus XX, liderado pela Alupar, ofertou uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 96,72 milhões, valor que se traduz em um deságio de 52% em relação ao teto estabelecido pela agência reguladora. Este foi o terceiro maior deságio registrado nesta etapa do certame, atrás dos Lotes 8 (59%) e 9 (57,2%), com o deságio médio da segunda etapa sendo de 53,20%.
Este resultado é particularmente significativo por se tratar de uma relicitação de ativos. Anteriormente sob concessão da MEZ Energia, os ativos foram devolvidos ao poder concedente por descumprimento de cronogramas. A Alupar assume agora a responsabilidade de implantar uma nova Subestação (SE) 345/88 kV São Miguel, com capacidade de 1.200 MVA, e 34,8 km de Linhas de Transmissão 345 kV, predominantemente subterrâneas. O objetivo é atender à crescente demanda e reforçar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) na região metropolitana.
O investimento total estimado pela ANEEL para o empreendimento é de R$ 1.089,47 milhões. A Alupar, contudo, projeta uma economia de cerca de 30% sobre este CAPEX de referência, o que demonstra uma estratégia agressiva na gestão de custos. A concessão terá duração de 30 anos, com a energização comercial do projeto prevista para junho de 2031. Este prazo reflete a complexidade e o porte da infraestrutura a ser instalada em uma área de alta densidade urbana e industrial.
A Receita Anual Permitida (RAP) vencedora de R$ 96,72 milhões será incorporada às tarifas de uso dos sistemas de transmissão (TUSD/TUST) ao longo das três décadas de concessão. O deságio robusto de 52% em relação à RAP máxima estabelecida pela ANEEL representa uma economia substancial para os consumidores. Isso ocorre porque o custo de remuneração do ativo será significativamente inferior ao teto regulatório inicialmente previsto, aliviando a pressão sobre os encargos setoriais.
A expansão da capacidade de escoamento de energia e o atendimento ao crescimento da demanda são os principais objetivos do projeto. A iniciativa também visa aumentar a segurança operacional do SIN na Região Metropolitana de São Paulo e ABC Paulista. A nova infraestrutura é considerada essencial para mitigar gargalos e garantir um suprimento energético estável e de qualidade em uma das regiões mais industrializadas e populosas do país, onde a demanda por eletricidade é constante e crescente.
A decisão de relicitar o Lote 7 foi embasada no Acórdão nº 1.360/2026 do Tribunal de Contas da União (TCU), que aprovou a realização de um novo certame para garantir a continuidade e a expansão da infraestrutura de transmissão. Este histórico de devolução de ativos sublinha a importância de uma gestão de projetos rigorosa e a capacidade de execução dos novos concessionários, especialmente em empreendimentos de alta relevância estratégica.
Para a Alupar, a vitória no leilão reforça sua posição consolidada no setor de transmissão, um segmento conhecido por seu menor risco e receitas previsíveis, atreladas à inflação. A empresa projeta uma rentabilidade de 12,35% para o projeto, medida pela relação RAP/CAPEX, indicando um retorno atrativo para o investimento de R$ 1,09 bilhão estimado pela ANEEL, mesmo com o elevado deságio ofertado. A concretização desse retorno dependerá da efetivação das economias de CAPEX projetadas pela empresa.
O alto deságio de 52% na RAP, embora benéfico para os consumidores ao reduzir o custo tarifário, reflete um ambiente de intensa competição nos leilões de transmissão. Este cenário exige das empresas vencedoras uma gestão de custos e eficiência ainda mais rigorosa para garantir a rentabilidade projetada e o cumprimento dos prazos de energização, evitando os problemas que levaram à relicitação do lote e os riscos de futuras penalidades regulatórias.
A ANEEL, como órgão regulador e fiscalizador, terá o papel crucial de garantir o cumprimento do contrato e a qualidade do serviço, monitorando de perto a execução do projeto desde as etapas iniciais até a energização comercial. A experiência anterior com a MEZ Energia serve como um alerta para a necessidade de um acompanhamento contínuo e eficaz da implantação da infraestrutura, assegurando que os benefícios prometidos cheguem aos consumidores.
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