Veículos híbridos superam eólicas no consumo de terras raras magnéticas no Brasil, aponta MME
Um estudo do Ministério de Minas e Energia (MME) revela uma inversão na demanda por minerais críticos, com veículos híbridos superando a geração eólica no consumo de terras raras magnéticas no Brasil em 2025. A projeção é que o consumo total desses minerais dobre até 2050, com a mobilidade elétrica mantendo a liderança e impulsionando a necessidade de uma Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR).
O consumo de terras raras magnéticas no Brasil mudou significativamente em 2025, com veículos híbridos superando as turbinas eólicas na demanda por esses minerais críticos. Dados de um estudo recente divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) mostram que o segmento de híbridos consumiu 359 toneladas, enquanto a geração eólica consumiu 344 toneladas no período, invertendo a liderança histórica e sinalizando novas prioridades para a cadeia de suprimentos da transição energética.
A inversão, detalhada no relatório final “Apoio à Preparação da Estratégia Nacional de Terras Raras”, elaborado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e pela Vallya, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), destaca a crescente importância da eletrificação da frota para a demanda por minerais estratégicos. O documento serve como subsídio técnico para subsidiar a formulação da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), cujos trabalhos técnicos foram iniciados em janeiro de 2026.
As projeções do MME indicam um aumento expressivo no consumo total brasileiro de terras raras magnéticas, que deve dobrar de 1,1 mil toneladas para 2,3 mil toneladas até 2050. Nesse cenário futuro, veículos híbridos e elétricos consolidarão sua liderança, com estimativas de 740 toneladas e 710 toneladas, respectivamente, superando as 501 toneladas projetadas para as turbinas eólicas. Essa tendência evidencia a necessidade de um planejamento robusto para garantir o suprimento desses insumos.
Para atender a essa demanda crescente e alcançar uma posição de destaque no cenário global, o Brasil projeta elevar sua participação no mercado mundial de minerais críticos de 8,3% para 12,2% até 2050. Para terras raras, a meta é ainda mais audaciosa, buscando alcançar 20% da produção global até 2040, o equivalente a 75 mil toneladas anuais de Óxido de Terras Raras Total (OTRT).
Para alcançar esses objetivos, são necessários investimentos substanciais, especialmente na infraestrutura de processamento. A instalação de uma planta de beneficiamento de terras raras no país demandaria cerca de US$ 1,65 bilhão. Esse capital é essencial para transformar o Brasil de mero exportador de matéria-prima em um ator com capacidade de agregar valor internamente.
A Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR) visa justamente equilibrar a tensão entre a riqueza geológica do Brasil e a atual dependência externa no processamento desses minerais. Ao focar no desenvolvimento de uma cadeia industrial nacional, incluindo a produção de ímãs permanentes e outros produtos de alto valor agregado, a ENTR busca reduzir a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos e promover a soberania tecnológica do país, alinhada às políticas industrial, ambiental e de inovação.
Diversos agentes terão papéis definidos pela futura ENTR. O Governo Federal, por meio do MME, coordenará as políticas e mobilizará investimentos; o setor de mineração deverá investir em exploração e processamento. A indústria de transformação, por sua vez, buscará desenvolver cadeias internas; e as instituições de P&D focarão na pesquisa e formação de mão de obra qualificada, essenciais para a sustentabilidade da cadeia.
Embora o estudo do MME não detalhe impactos diretos sobre tarifas de energia ou mecanismos de mercado, o fortalecimento da cadeia nacional de terras raras, com maior produção e processamento interno, poderá influenciar, indiretamente, os custos de tecnologias de energia renovável e veículos elétricos/híbridos. No longo prazo, isso pode refletir em custos de geração e mobilidade elétrica, embora esses efeitos não sejam quantificados no documento.
O documento divulgado, apresentado em 19 de junho de 2026, é um estudo técnico e não uma norma regulatória, servindo como base para a criação da ENTR, que poderá, por sua vez, originar futuras regulamentações. O estudo se insere em um contexto que inclui a Resolução CTAPME nº 2/2021, que lista minerais estratégicos, e o Projeto de Lei (PL) 2780, que pode abordar instrumentos para minerais críticos, delineando o arcabouço para o desenvolvimento do setor.
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