CNPE debate aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se reúne em 8 de julho para deliberar sobre a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para 32%. A medida, se aprovada, deve impulsionar a demanda por biocombustíveis em cerca de 1 bilhão de litros anuais e reduzir as importações de gasolina em até 450 milhões de litros por ano, com impacto previsto para agosto.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se reúne em 8 de julho de 2026 para uma decisão que pode reconfigurar parte do mercado de combustíveis brasileiro. Na pauta, está a deliberação sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, passando do patamar atual de 30% (E30) para 32% (E32), uma movimentação já sinalizada pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
A expectativa é que a aprovação do E32 ocorra sem grandes impasses, pois estudos técnicos prévios já atestaram a segurança da nova proporção para a frota nacional de veículos. A elevação se alinha à Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 8 de outubro de 2024, que ampliou o limite legal da mistura para até 35%, desde que a viabilidade técnica seja comprovada.
Para o setor de biocombustíveis, a mudança representa um impulso significativo. Produtores de etanol, tanto de cana-de-açúcar quanto de milho, serão os principais beneficiados, com projeção de aumento na demanda por etanol anidro em cerca de 1 bilhão de litros por ano. O setor já se manifestou preparado para atender a esse volume adicional, garantindo o abastecimento do mercado.
Em termos de segurança energética e balança comercial, a alteração para o E32 é vista como um passo importante. Estima-se que a medida possa reduzir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 400 a 450 milhões de litros anuais, contribuindo para a redução da dependência externa e a economia de divisas.
Avançar para o E32 também tende a beneficiar o consumidor final. Com a maior participação do etanol, que em muitas regiões do país já apresenta uma vantagem competitiva de preço em relação à gasolina pura, espera-se que contribua para a oferta de um combustível mais competitivo nas bombas. Além disso, a ampliação da mistura auxilia na redução das emissões de poluentes, em linha com os compromissos ambientais do Brasil.
A frota de veículos flex, majoritária no país, já opera com misturas elevadas de etanol e é compatível com o novo percentual. Para os veículos que eventualmente não se adaptem, ou para aqueles que exigem especificações diferenciadas, a gasolina premium continuará disponível com 25% de etanol, mantendo uma opção no mercado.
A transição para o E32 representa uma continuidade da política de incentivo aos biocombustíveis, seguindo o histórico de elevações graduais da mistura. A atual proporção de 30% (E30) foi implementada após análises técnicas similares, e a nova proposta aproveita o arcabouço legal da Lei do Combustível do Futuro e o conhecimento técnico acumulado sobre a compatibilidade veicular.
Após a deliberação do CNPE, caso a proposta seja aprovada, o MME deverá publicar uma resolução ou ato normativo para formalizar a mudança. A entrada em vigor da medida é projetada para agosto de 2026, com distribuidoras e postos de combustíveis ajustando seus processos de mistura para comercializar o novo percentual.
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