Engie Brasil Energia protocola oferta de ações de até R$ 10,5 bilhões para incorporar Jirau
A Engie Brasil Energia (EGIE3) protocolou nesta segunda-feira (6) o pedido de registro automático de uma oferta pública primária de ações ordinárias, que pode movimentar até R$ 10,5 bilhões. A operação visa incorporar a participação da controladora Engie Brasil Participações na Jirau Energia, otimizando a estrutura de capital da companhia.
A Engie Brasil Energia (EGIE3) formalizou um movimento estratégico em sua reestruturação societária ao protocolar, em 6 de julho de 2026, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o pedido de registro automático para uma oferta pública primária de ações ordinárias. A operação tem potencial para movimentar até R$ 10,5 bilhões, dependendo da demanda, e visa a incorporação da participação da controladora Engie Brasil Participações (EBP) na Jirau Energia.
A oferta base compreende 178.718.109 ações ordinárias, com possibilidade de acréscimo de até 82,8%, adicionando mais 147.976.807 ações e totalizando 326.694.916 ações. Com base no preço de R$ 32,14 por ação, valor de fechamento de EGIE3 em 3 de julho de 2026, a captação pode variar entre R$ 5,744 bilhões no lote inicial e alcançar R$ 10,5 bilhões com a colocação do lote adicional completo.
A Engie Brasil Participações (EBP) comprometeu-se a subscrever R$ 5,744 bilhões em ações, integralizando o valor mediante a transferência de sua participação acionária na Jirau Energia S.A. para a Engie Brasil Energia. Eventuais recursos líquidos captados acima do valor da aquisição de Jirau serão direcionados ao fortalecimento da estrutura de capital da companhia, visando a redução da alavancagem e maior flexibilidade financeira, sem previsão de lote suplementar ou estabilização de preço.
Acionistas atuais da Engie Brasil Energia (EGIE3) tiveram o prazo entre 6 e 10 de julho de 2026 para exercer seu direito de subscrição prioritária, garantindo a manutenção de sua participação sem diluição, com base nas posições em custódia até 2 de julho. A oferta é direcionada a investidores profissionais, com o processo de bookbuilding para fixação do preço das ações previsto para 14 de julho.
A coordenação da oferta é realizada por um consórcio liderado pelo Itaú BBA, que inclui Santander, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley. A negociação das novas ações na B3 deverá ter início em 16 de julho de 2026, com a liquidação financeira da operação agendada para o dia seguinte, 17 de julho.
O pedido de registro automático junto à CVM, em 6 de julho, está em conformidade com o rito previsto no artigo 26, inciso II, alínea “a”, da Resolução CVM 160, que dispensa análise prévia da oferta pela autarquia ou por outras entidades reguladoras como a ANBIMA. A aquisição da participação de 40% na Usina Hidrelétrica de Jirau pela Engie Brasil Energia já havia sido aprovada em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) em 2 de julho de 2026.
A operação de ações complementa outra iniciativa de financiamento aprovada pelo conselho de administração da Engie Brasil Energia: uma oferta pública de distribuição de debêntures simples no valor de até R$ 700 milhões, dividida em duas séries. Essa oferta de debêntures, também exclusiva para investidores profissionais, destinará os recursos à recomposição do capital de giro da companhia e ao financiamento de seu plano de negócios, complementando a estratégia de financiamento global.
Apesar da magnitude financeira e corporativa, a natureza da oferta é essencialmente societária, com foco na reestruturação e no fortalecimento da Engie Brasil Energia. Não há indícios de impactos diretos em tarifas ou encargos setoriais, como TUSD/TUST ou ESS, nem efeitos imediatos sobre o mercado de energia de curto prazo, como o PLD ou a contratação no ACL/ACR.
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