China prevê aumento da geração de energia a carvão em 2026
Projeções do setor energético indicam que a China retomará o crescimento da geração de eletricidade a carvão em 2026. Esse movimento ressalta a prioridade de Pequim na segurança energética, desafiando as metas climáticas do país e globais, apesar dos investimentos maciços em renováveis.
A China, segundo projeções do setor energético, retomará o crescimento da geração de eletricidade a carvão em 2026. Essa perspectiva evidencia a complexa balança entre a segurança do abastecimento e as ambiciosas metas de descarbonização do país, refletindo uma reavaliação global do mix energético em grandes economias.
Maior consumidor e produtor mundial de carvão, a China ainda depende do combustível fóssil para cerca de 60% de sua matriz elétrica, conforme dados de 2022. O país detém mais de 1.100 GW de capacidade instalada de geração a carvão, o que representa metade do total global. Somente em 2022, Pequim aprovou a construção de 106 GW em novas usinas, o equivalente a duas grandes plantas por semana.
A prioridade na segurança energética, intensificada após crises como a de 2021, tem resultado em flexibilizações nas políticas de “controle duplo” (dual control) de consumo e intensidade de energia. Embora o 14º Plano Quinquenal (2021-2025) estabeleça metas de redução da intensidade de carbono, ele permite o aumento do consumo total para garantir o abastecimento. Isso abre espaço para o carvão, com a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) e a Administração Nacional de Energia (NEA) definindo as diretrizes.
O crescimento contínuo da geração a carvão, mesmo diante de investimentos recordes em energias renováveis, representa um desafio considerável para as metas climáticas globais e para os próprios compromissos da China de atingir o pico de emissões antes de 2030 e a neutralidade de carbono até 2060. Esse cenário pode impactar a qualidade do ar em regiões industriais e urbanas, além de manter a pressão sobre os preços internacionais do carvão.
A situação chinesa reflete desafios semelhantes enfrentados por outras economias emergentes da Ásia, como Índia, Vietnã e Indonésia, que também dependem do carvão como base para seu crescimento. Enquanto países desenvolvidos buscam eliminar o carvão, a realidade da segurança energética e os custos da transição evidenciam a complexidade global da descarbonização em larga escala.
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