CMSE antecipa 1,8 GW de geração e El Niño eleva risco de bandeira vermelha em 2027
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a antecipação de 1,8 GW de geração para mitigar os riscos do "super El Niño", que, segundo o INMET, deve intensificar-se até 2027. O fenômeno projeta reservatórios mais baixos e o acionamento de bandeiras vermelhas, com impacto tarifário para o consumidor.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a antecipação da entrada em operação de 1,8 GW de geração adicional, proveniente de contratos de leilões de reserva de capacidade, como resposta direta à intensificação do fenômeno El Niño. A medida, com vigência a partir de 1º de setembro de 2026, visa reforçar a segurança do sistema elétrico nacional diante das projeções do Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e parceiros, que confirma alta probabilidade de um evento "muito forte" ou "super El Niño" até o início de 2027.
O cenário de "super El Niño" projeta que o armazenamento dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) termine o período úmido 2026-2027 próximo a 70% da capacidade em abril de 2027, uma redução significativa em comparação aos 80% esperados sem o fenômeno. Para os consumidores cativos, as projeções do Boletim indicam o acionamento de bandeiras vermelhas (patamar 1 e 2) entre julho e outubro de 2027, refletindo a pressão sobre o sistema. Consumidores de baixa tensão podem enfrentar um aumento médio de 2,1% nas tarifas em 2027, podendo chegar a 4,5% com o impacto das bandeiras tarifárias, além dos reajustes anuais.
A consultoria Thymos projeta para o segundo semestre de 2026 um Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio entre R$ 150/MWh e R$ 200/MWh. Embora a queda de preços no PLD no curto prazo seja esperada devido às chuvas no Sul, o que pode afetar geradoras com energia sem contratar, a pressão sobre os reservatórios e o acionamento de termelétricas tendem a pressionar o PLD para cima no médio e longo prazo, beneficiando geradoras térmicas e penalizando as hidrelétricas com GSF. O maior efeito tarifário regional deve ser observado no Sul, com uma diferença média de 3,3 pontos percentuais entre os cenários com e sem El Niño, enquanto no Norte a diferença estimada é de 0,9 ponto percentual.
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