EPE detalha plano para estruturar futuro leilão de armazenamento hidráulico focado em UHRs
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou o plano de trabalho para o futuro procedimento competitivo de contratação de serviços providos por sistemas de armazenamento hidráulico (SAH), com foco em usinas reversíveis (UHRs). A iniciativa visa antecipar etapas e coletar dados para subsidiar a modelagem de um leilão de capacidade e serviços ancilares.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) detalhou nesta terça-feira, 15 de setembro, o plano de trabalho para estruturar um futuro leilão de armazenamento hidráulico, com foco em usinas reversíveis (UHRs). A apresentação ocorreu durante o Seminário sobre Sistemas de Armazenamento Hidráulico, conduzido pelo GESEL/UFRJ, e atende às diretrizes da Resolução CNPE nº 08/2026, além de consolidar as competências atribuídas à EPE pela Lei nº 15.269/2025.
O plano prevê a abertura de uma chamada pública consultiva para o cadastramento de projetos de UHRs, com o objetivo de analisar a maturidade do mercado, os custos envolvidos e os impactos socioambientais. As instruções para este cadastramento serão publicadas em outubro de 2026, e a chamada pública será lançada em novembro do mesmo ano. Este processo tem caráter informativo e consultivo, sem a finalidade de habilitar projetos para um leilão cuja data ainda não foi definida, mas que deverá remunerar a disponibilidade de potência e o desempenho operacional dos empreendimentos.
A iniciativa da EPE tende a fortalecer a segurança operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN) e a flexibilidade necessária para a crescente integração de fontes renováveis variáveis, como eólica e solar. A contratação de UHRs, que entregam atributos como potência, armazenamento, rampas e serviços ancilares, pode mitigar o risco hidrológico, reduzir a necessidade de despacho térmico mais caro e, consequentemente, diminuir a volatilidade do PLD nos submercados, estabilizando a curva forward de energia no longo prazo. Desenvolvedores de projetos de UHRs ganham com a sinalização de um novo mercado e um caminho regulatório mais claro, além da elegibilidade a benefícios fiscais e à Licença Ambiental Especial (LAE).
Este movimento estabelece um precedente para a contratação de ativos complexos com múltiplos atributos no setor elétrico brasileiro, complementando iniciativas para outras tecnologias de armazenamento, como os leilões de reserva de capacidade para baterias. Contudo, a complexidade e o longo ciclo de desenvolvimento dos projetos de UHRs representam um risco, exigindo que a definição precisa dos requisitos técnicos pelo MME, ANEEL e ONS, bem como a modelagem econômica para a remuneração, sejam cruciais para atrair investimentos e garantir a viabilidade dos empreendimentos sem custos excessivos.
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