CNI defende etanol brasileiro na descarbonização do transporte marítimo global
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende uma posição unificada do Brasil para que o etanol seja reconhecido como solução estratégica na descarbonização do transporte marítimo global. A iniciativa ocorre em meio ao avanço regulatório da IMO e da ANP, que abrem um mercado bilionário para o biocombustível.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende uma posição nacional unificada para que o etanol brasileiro seja amplamente reconhecido como uma solução estratégica na descarbonização do transporte marítimo global. A iniciativa busca consolidar o biocombustível como alternativa viável na Organização Marítima Internacional (IMO), que avança na criação de um arcabouço regulatório para o setor e formalizará seu marco de emissões zero em dezembro de 2026.
A defesa da CNI ganha lastro no reconhecimento técnico da IMO, que já aprovou um valor padrão de 20,8 gramas de CO2 equivalente por megajoule para o etanol de milho de segunda safra, um salto em relação aos 93,3 gramas do bunker fuel. Este avanço valida o potencial do biocombustível para reduzir em até 75% as emissões de carbono, com projeções de até 90% em projetos mais inovadores. As medidas de adoção de biocombustíveis na IMO entrarão em vigor em 2027, tornando-se obrigatórias para navios oceânicos de grande porte, com multas por tonelada de carbono emitida a partir de 2028.
A abertura desse mercado global para o etanol no transporte marítimo é estimada entre R$ 75 bilhões e R$ 150 bilhões anuais, com potencial para alavancar a demanda por etanol brasileiro em até 25 bilhões de litros por ano. No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já revisa a Resolução nº 903, de 2022, para permitir o uso experimental de combustíveis alternativos em embarcações, incluindo o etanol, e incorporar limites da norma internacional ISO 8217.
Embora o etanol possa apresentar um custo nominal superior aos combustíveis fósseis, a equação se equilibra ao considerar a captação de créditos de carbono pela redução das emissões. Em junho de 2026, o etanol custava US$ 700-800/tonelada métrica, competitivo frente ao LSFO (Low Sulphur Fuel Oil), que superava US$ 750/tonelada na Ásia. Empresas de navegação como Vale e Maersk, que já testam navios compatíveis, defendem uma transição gradual e alertam contra medidas unilaterais que possam elevar custos e fragmentar a regulação internacional.
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