Comercializadoras de energia enfrentam crise com mais de R$ 6 bilhões em dívidas
Pelo menos 11 comercializadoras de energia elétrica no Brasil enfrentam uma crise financeira sem precedentes, com o rombo de dívidas e recuperações judiciais superando R$ 6 bilhões. A Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE) alerta para o risco sistêmico, atribuindo o cenário à volatilidade do PLD, aumento das garantias financeiras e cortes na geração renovável.

A crise financeira no setor de comercialização de energia elétrica se aprofunda, com pelo menos 11 empresas acumulando dívidas e pedidos de recuperação judicial que já ultrapassam R$ 6 bilhões, conforme alerta a Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE). Este cenário, descrito pela entidade como uma "tempestade perfeita", é impulsionado pela intensa volatilidade dos preços no mercado de curto prazo, pelo aumento das exigências de garantias financeiras e pelo descasamento nos valores negociados.
A escalada do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) é um dos principais fatores, tendo registrado um aumento médio de 84% entre 2024 e 2026, passando de R$ 129/MWh para R$ 236/MWh. A apuração horária do PLD, implementada entre 2025 e 2026, contribuiu para essa instabilidade, enquanto o IPCA variou apenas 5% no mesmo período. Adicionalmente, cortes impostos à geração renovável (curtailment) pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) descartaram cerca de 20% da oferta até maio de 2026, restringindo a disponibilidade de energia mais barata.
Diante do quadro, Carlos Faria, diretor-presidente da ANACE, recomenda que os consumidores redobrem a cautela nas negociações e rotinas com parceiros no mercado livre de energia. Ele enfatiza a necessidade de análises mais criteriosas das comercializadoras antes de fechar negócios e alerta para o risco de maior rigor por parte dessas empresas em relação às condições acordadas e notificações por inadimplência.
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