Cortes em renováveis somam 4,1 GW na operação do SIN em 6 de julho, diz ONS
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou cortes de 4.112 MW na geração de fontes renováveis — eólica e solar — no Sistema Interligado Nacional (SIN) em 6 de julho, conforme seu Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO). As restrições ocorreram nos submercados Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, evidenciando os desafios operacionais da crescente participação dessas fontes na matriz, em meio à indefinição regulatória sobre o rateio dos custos do curtailment.
A operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) em 6 de julho registrou restrições significativas na geração de fontes renováveis, com um total de 4.112 MW cortados nos submercados Sul (278 MW), Sudeste/Centro-Oeste (623 MW) e Nordeste (3.211 MW). Os dados, divulgados pelo ONS nesta terça-feira, 7 de julho, no Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO), indicaram uma carga global de 77.530 MWméd, com a geração eólica e solar respondendo por 17% e 15% do mix, respectivamente.
Os cortes refletem os desafios enfrentados pela operação do sistema diante da crescente penetração de fontes intermitentes, especialmente em regiões com infraestrutura de transmissão limitada. O ONS destacou que a geração hidráulica no Sul ficou abaixo do programado devido à maior geração renovável e à produção no Sudeste/Centro-Oeste, enquanto o intercâmbio para o Sul superou o previsto pela mesma razão. No Nordeste, a geração eólica inferior ao esperado impactou o intercâmbio da região.
A ocorrência desses cortes compulsórios de geração, conhecidos como curtailment, tem sido uma preocupação crescente para o setor. Em novembro de 2025, a ANEEL aprovou um Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, permitindo que distribuidoras limitem a geração de pequenas usinas renováveis para atender aos comandos do ONS. Contudo, a discussão sobre as novas regras para o ordenamento dos cortes e o compartilhamento dos impactos financeiros, parte da Consulta Pública nº 45/2019, foi adiada pela ANEEL em 22 de junho de 2026, após pedido de vista para aprofundamento de pontos controversos.
A indefinição regulatória sobre quem arca com os prejuízos do curtailment gera incerteza para os geradores de energia renovável, que atualmente suportam a perda de receita. A espera por uma fase de transição e a proposta de um “período sombra” para o novo modelo de rateio contábil mantêm o setor em compasso de espera, enquanto o ONS continua a realizar os cortes para garantir a segurança e a estabilidade do SIN.
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