Estreia do Brasil na Copa derruba demanda de energia em até 8,6%, aponta ONS
A primeira partida da seleção brasileira na Copa do Mundo, disputada no último sábado (13), causou uma queda de até 8,6% na demanda de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN), segundo dados revisados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O consumo atingiu um mínimo de 77.279 megawatts (MW) durante o jogo, enquanto o intervalo e o apito final provocaram picos de retomada que exigiram monitoramento especial da operação elétrica do país.

A estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, no sábado (13), alterou drasticamente o padrão de consumo de energia elétrica no país, e a demanda do Sistema Interligado Nacional (SIN) registrou uma queda de até 8,6% durante a partida contra o Marrocos. Os dados, revisados e divulgados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), indicam que a carga do sistema alcançou o menor patamar de 77.279 megawatts (MW) durante o jogo, em comparação com um sábado de referência.
O comportamento da carga no SIN divergiu notavelmente do padrão observado em 30 de maio, sábado de referência definido pelo ONS. Enquanto a curva de carga do dia padrão manteve-se em níveis mais elevados durante a noite, a demanda registrada durante o jogo da seleção mostrou uma queda contínua desde o início da partida, às 19h, reflexo da paralisação das atividades rotineiras de milhões de brasileiros, que se concentraram diante da televisão.
As variações mais abruptas ocorreram nos períodos de transição. No intervalo do jogo, às 20h02, o sistema registrou uma elevação abrupta da carga de 2.826 MW em apenas oito minutos, volume que, conforme o ONS, equivale à carga média do estado de Goiás. Esse movimento reflete o retorno simultâneo dos consumidores a atividades domésticas, como abrir geladeiras, preparar alimentos e utilizar outros eletrodomésticos durante a pausa.
Com o reinício do segundo tempo, a demanda voltou a recuar, alcançando seu menor patamar às 21h04, logo após o início da etapa complementar. No encerramento da partida, o padrão de mobilização nacional se repetiu: às 21h27, após o apito final, o sistema elétrico registrou a maior recuperação de carga da noite, com uma elevação de 4.307 MW em 21 minutos, um volume comparável à carga média do estado do Rio Grande do Sul.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ator central na gestão dessas variações de demanda, coordena e controla a operação das instalações de geração e transmissão de energia no SIN, em conjunto com distribuidoras, geradoras e transmissoras. Para o ONS, eventos de grande mobilização como os jogos da Copa do Mundo representam um desafio operacional significativo, exigindo medidas especiais para garantir a estabilidade do sistema.
Historicamente, o comportamento da demanda de energia durante jogos da seleção brasileira em Copas do Mundo é um padrão que o ONS já conhece e monitora. Em edições anteriores, como as de 2014 e 2018, quedas significativas de carga e picos de retomada foram observados rotineiramente. A atuação do ONS é balizada pela Lei nº 9.648/1998 e por regulamentações da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que definem suas atribuições na coordenação e controle do SIN.
A queda de 8,6% na demanda, atingindo 77.279 MW, representa uma redução substancial para um sistema cuja carga média diária em 2023 foi de aproximadamente 72.000 MW. Os picos de retomada evidenciam a magnitude da flexibilidade operacional exigida, comparável à necessidade de acionar ou desligar grandes blocos de geração em curtos intervalos. Sem um planejamento adequado e os Procedimentos de Rede específicos, essas oscilações poderiam levar a instabilidades na frequência e tensão do sistema, impactando a qualidade do fornecimento.
As bruscas variações, tanto de queda quanto de retomada, impõem desafios operacionais consideráveis ao ONS, exigindo maior flexibilidade das usinas geradoras e uma coordenação apurada entre todos os agentes do setor. O monitoramento especial visa mitigar esses riscos, assegurando a segurança e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional mesmo diante de cenários de alta variabilidade da demanda, como os jogos da seleção em Copas do Mundo.
Com a Copa do Mundo em andamento, o ONS continuará a aplicar os procedimentos especiais de operação para os próximos jogos da seleção brasileira e outras partidas de grande apelo popular. A cada evento, os dados de demanda são analisados para refinar modelos de previsão e estratégias operacionais, garantindo a resiliência do sistema diante de futuras variações de carga e a continuidade do fornecimento de energia em todo o país.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de CNN Brasil. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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