Unicamp lança workshops para integrar produção de biocombustíveis e pecuária em São Paulo
O Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Etanol (CCD Etanol) da Unicamp iniciou uma série de workshops com o objetivo de impulsionar a produção de biocombustíveis no estado de São Paulo, buscando novos modelos de negócio e a otimização do uso da terra por meio da integração com a pecuária. A iniciativa visa fortalecer a bioeconomia paulista, que já responde por cerca de 50% do etanol produzido no Brasil, e posicionar o setor para as exigências de descarbonização do RenovaBio.
O Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Etanol (CCD Etanol), vinculado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lançou uma série de workshops para impulsionar a produção de biocombustíveis no estado de São Paulo. Seu objetivo é explorar novos modelos de negócio e promover a integração do setor sucroenergético com a pecuária, buscando maior sustentabilidade e eficiência.
A iniciativa reflete um movimento estratégico para aprimorar a bioeconomia paulista. O estado tem um papel histórico e central na produção de etanol no Brasil, sendo o berço do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) nos anos 1970. A busca por modelos que aliem a produção de combustíveis renováveis à criação de gado representa a evolução do setor, com foco na otimização do uso da terra e na diversificação de cadeias de valor.
São Paulo é o maior produtor de etanol do país, respondendo por aproximadamente metade do volume nacional. Na safra 2022/2023, o estado produziu cerca de 16,5 bilhões de litros de etanol, a partir de uma moagem de cana-de-açúcar superior a 300 milhões de toneladas. A integração com a pecuária, um setor com forte presença no estado, pode otimizar o uso de subprodutos da cana, como a torta de filtro e a vinhaça, além de áreas de pastagem, aumentando a produtividade e a rentabilidade por hectare.
O CCD Etanol, um dos principais polos de pesquisa e desenvolvimento em biocombustíveis no país, reúne acadêmicos e cientistas para avançar em tecnologias e modelos de negócio. Além da Unicamp, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e grandes grupos sucroenergéticos, como Raízen e BP Bunge Bioenergia, são atores-chave com interesse direto nos resultados dos workshops.
O principal arcabouço regulatório que impulsiona a produção de biocombustíveis no Brasil é o RenovaBio, instituído pela Lei nº 13.576/2017. O programa estabelece metas compulsórias de descarbonização para a matriz de combustíveis e cria um mercado de Créditos de Descarbonização (CBIOs), incentivando a produção e o consumo de biocombustíveis. Iniciativas como as da Unicamp buscam otimizar processos para que os produtores paulistas alcancem as melhores notas de eficiência energético-ambiental no RenovaBio, valorizando seus CBIOs.
A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e a bioeconomia circular são modelos amplamente estudados e aplicados em diversas partes do mundo, como na União Europeia, que busca otimizar recursos e reduzir o impacto ambiental da agricultura. No Brasil, embora a ILPF já seja uma realidade em algumas regiões, a integração específica e otimizada com a produção de biocombustíveis em larga escala, como proposto pela Unicamp, representa um avanço significativo, inspirada em experiências internacionais com biorrefinarias integradas.
A expectativa é que a busca por novos modelos e a integração com a pecuária gerem um impacto significativo na diversificação da renda do produtor rural e na otimização do uso da terra, promovendo uma economia circular na agroindústria. Espera-se um aumento na eficiência da produção de biocombustíveis, com potencial para reduzir custos e emissões, além de fortalecer a segurança alimentar e energética do país, impulsionando o desenvolvimento de biocombustíveis avançados (2G) e a bioeletricidade.
Os workshops do CCD Etanol devem resultar na identificação de gargalos tecnológicos e regulatórios, além de propor soluções inovadoras e projetos-piloto para a integração da produção de biocombustíveis com a pecuária. Os resultados e as propostas geradas nesses encontros podem subsidiar a formulação de políticas públicas estaduais e federais de fomento à bioeconomia, com a expectativa de que as discussões avancem para a criação de redes de pesquisa e desenvolvimento mais robustas e a aplicação prática das inovações no campo.
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Matéria produzida pela redação do Radar Energia a partir da fonte original. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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