Fitch eleva rating da Light para B- com perspectiva estável após reestruturação da dívida
A Fitch Ratings elevou os Ratings de Inadimplência do Emissor (IDRs) de Longo Prazo da Light e suas controladas de 'D' para 'B-', com Perspectiva Estável, após a conclusão da reestruturação da dívida e um aporte de R$ 1,5 bilhão na holding. A agência projeta uma redução significativa na alavancagem do grupo, que deve cair de 7,8 vezes o EBITDA em 2025 para 4,3 vezes em 2027, sinalizando uma melhora substancial no perfil de crédito da companhia.
A Fitch Ratings elevou os Ratings de Inadimplência do Emissor (IDRs) de Longo Prazo em Moedas Estrangeira e Local da Light S.A. e suas controladas, Light Sesa e Light Energia S.A., de 'D' para 'B-', com Perspectiva Estável. O Rating Nacional de Longo Prazo também subiu de 'D(bra)' para 'BB(bra)', conforme anunciado pela agência em 18 de agosto de 2026, refletindo a reestruturação da dívida do grupo.
A elevação dos ratings foi impulsionada por um aporte de R$ 1,5 bilhão na holding e pela conversão obrigatória de R$ 2,3 bilhões de dívidas da holding em capital. Essa injeção de recursos e a desalavancagem resultante foram fatores diretos para a melhoria do perfil de crédito da empresa, permitindo à Fitch reavaliar sua capacidade de honrar obrigações e indicando uma recuperação na saúde financeira, após a saída da Light Sesa da recuperação judicial.
A agência projeta uma redução substancial na alavancagem do grupo, com o índice de alavancagem pelo EBITDA ajustado consolidado caindo de 7,8 vezes em 2025 para 5,1 vezes em 2026 e 4,3 vezes em 2027. Essa melhoria nos indicadores de endividamento é importante para a percepção de risco da Light no mercado, podendo facilitar futuras captações e reduzir o custo de capital, embora o rating ainda permaneça em grau especulativo.
A Fitch estima um EBITDA consolidado de R$ 1,7 bilhão em 2026 e R$ 2,4 bilhões em 2027, com o EBITDA da Light Sesa projetado para atingir R$ 1,9 bilhão em 2027, impulsionado pela revisão tarifária. A agência assume investimentos anuais médios de R$ 1,9 bilhão entre 2026 e 2028, essenciais para a redução de perdas de energia e a melhoria da qualidade dos serviços, conforme as metas mais rigorosas do novo contrato de concessão.
A recuperação da Light é sustentada, em grande parte, pela formalização de um novo contrato de concessão para a Light Sesa, que incorpora os desafios operacionais da distribuidora, especialmente em áreas de risco. Este contrato, que entrará em vigor após a assinatura, foi precedido pela recomendação da ANEEL ao governo federal para a renovação da concessão de distribuição da Light Sesa por 30 anos, contribuindo para a estabilidade futura do grupo e estabelecendo um precedente para o tratamento de concessionárias em dificuldades.
Para investidores e credores, a mudança de 'D' para 'B-' indica uma melhora no perfil de crédito, o que pode tornar a Light um ativo mais atrativo. A saída da recuperação judicial da Light Sesa e a perspectiva estável do rating 'B-' indicam uma trajetória de recuperação, o que é visto como positivo para a tese de investimento, que agora pode se focar mais na execução operacional e menos no risco de default. No mercado de ações, o papel LIGT3 fechou o dia em R$ 3,17, com queda de aproximadamente 1,86%.
A próxima revisão tarifária da Light Sesa, crucial para definir novos limites de perdas de energia e o tratamento de áreas de risco, está prevista para 2027. O novo contrato de concessão da distribuidora prevê um aumento do limite regulatório para perdas de energia para 55% a 58% em 2027, de 43% em 2026, o que deve reduzir o impacto financeiro das perdas para R$ 620 milhões em 2027, de R$ 1,2 bilhão em 2026.
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