IG4 Capital prepara oferta vinculante por créditos da Raízen e mira controle da unidade de açúcar e etanol
A IG4 Capital prepara uma oferta vinculante aos credores da Raízen, visando adquirir mais de 50% dos créditos para assumir o controle da companhia, com foco na unidade de açúcar e etanol. A gestora, que já fez uma oferta não vinculante, deve formalizar a proposta definitiva nas próximas semanas. O movimento complementa o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, homologado em julho, que acumula R$ 65 bilhões em dívidas.

A IG4 Capital prepara uma oferta vinculante aos credores da Raízen, que está em recuperação extrajudicial com uma dívida de aproximadamente R$ 65 bilhões. O objetivo é adquirir mais de 50% dos créditos para assumir o controle da companhia, com foco estratégico na unidade de açúcar e etanol. A informação foi divulgada pela Visão Agro.
A gestora, que já havia apresentado uma oferta não vinculante há dois meses, deve formalizar sua proposta definitiva nas próximas semanas, com expectativa de apresentação em até três semanas a partir de 20-21 de setembro. A estrutura da oferta combinaria pagamento em dinheiro com direitos de crédito conversíveis em ações, um modelo similar ao adotado pela IG4 na reestruturação da Braskem. O plano de recuperação da Raízen prevê a segregação dos negócios em Raízen Combustíveis e Raízen Energia, sendo esta última o principal alvo da IG4.
A Raízen, uma joint venture entre Shell e Cosan, protocolou seu pedido de recuperação extrajudicial em março de 2026. O Plano de Recuperação Extrajudicial (PRE) foi homologado pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo em julho, com adesão de 81,6% dos credores. O mercado interpreta o interesse da IG4 como um fator que reforça a atratividade dos títulos da empresa. Segundo a Visão Agro, os papéis da companhia (RAIZ4) subiam 3,85% e eram cotados a R$ 0,27 por volta das 11h03 de segunda-feira (21 de setembro). Analistas do Bradesco BBI avaliam que o interesse da IG4 reforça a tese de que os preços dos títulos da empresa são atrativos e que a potencial transação pode contribuir para a valorização dos títulos da Raízen.
Para concretizar a aquisição do controle, a IG4 tem mantido conversas com a Shell, uma das atuais controladoras, devido às "travas" existentes no PRE homologado que podem dificultar o ingresso de um novo acionista majoritário. Se bem-sucedida, a transação pode redefinir a gestão e a estratégia comercial de um dos maiores players em biocombustíveis e geração a biomassa no país. Os credores da Raízen ganham novas alternativas de liquidez ou participação acionária, enquanto a IG4 acessa um portfólio significativo de ativos.
No mercado de energia, a potencial mudança de controle da Raízen Energia pode influenciar a oferta de energia elétrica gerada a partir de biomassa, afetando a dinâmica de contratação nos Ambientes de Contratação Livre (ACL) e Regulado (ACR). Uma nova gestão pode otimizar o despacho dessas usinas, buscar maior eficiência ou expandir a capacidade, o que, no médio e longo prazo, poderia ter reflexos na curva forward e na garantia física do sistema.
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