MMA atualiza projeções e aponta El Niño "muito forte" até 2027, elevando risco no setor elétrico
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) atualizou as projeções climáticas, indicando 81% de probabilidade de um El Niño "muito forte" entre outubro e dezembro de 2026, com chances de persistir até a primavera de 2027.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) atualizou suas projeções climáticas, apontando para uma intensificação do fenômeno El Niño. As previsões da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) indicam 81% de probabilidade de um El Niño "muito forte" entre outubro e dezembro de 2026, com 97% de chance de persistir até a primavera de 2027. Instituições como INMET, INPE e WMO corroboram essa tendência, projetando mais de 90% de probabilidade de permanência e alta intensidade do fenômeno até o início de 2027.
O El Niño já está estabelecido desde junho de 2026, e a expectativa é de intensificação no segundo semestre deste ano, com pico provável no final de 2026, estendendo-se até o início de 2027. Em resposta a esse cenário, o Governo Federal, por meio do MMA, instituiu um grupo de trabalho via Portaria de 20 de julho de 2026, para monitorar e propor ações mitigadoras.
A intensificação do El Niño eleva os riscos para o setor de energia, com impactos esperados nas tarifas e no mercado. O acionamento de bandeiras tarifárias mais caras é previsto a partir de abril de 2026. A bandeira amarela adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh, enquanto a bandeira vermelha, no patamar mais alto, pode chegar a R$ 7,877 por 100 kWh, conforme dados da ANEEL.
No mercado livre de energia (ACL), a pressão de alta no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) e nos preços dos contratos já é perceptível. Em maio de 2026, contratos para o segundo semestre já eram negociados próximos de R$ 280/MWh. Geradores de energia, representados pela Abrage, expressam preocupação com o maior risco operacional e econômico, especialmente em relação ao abastecimento para 2027.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê o acionamento de termelétricas para garantir a segurança do suprimento. O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) já emitiram alertas aos agentes do setor, reforçando a necessidade de monitoramento e planejamento diante das projeções climáticas.
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