Norsk Hydro pede acesso a terminal de GNL de Barcarena após corte de gás
A Norsk Hydro reduziu em 50% a produção de alumina na Alunorte, no Pará, devido à interrupção no fornecimento de gás pela Celba (New Fortress) e agora busca acesso direto ao terminal de GNL de Barcarena. O movimento testa a Resolução ANP nº 1.003/2026, que regulamenta o acesso não discriminatório a terminais.
A Norsk Hydro reduziu em 50% a produção de alumina em sua refinaria Alunorte, localizada em Barcarena, no Pará, após a interrupção no fornecimento de gás natural pela Celba, empresa do grupo New Fortress. Em resposta, a multinacional informou ao mercado que implementou medidas de contingência, incluindo a aquisição pontual de gás natural liquefeito (GNL) e a solicitação de acesso direto ao terminal de regaseificação operado pela Celba, conforme comunicado pela ABEGÁS.
A interrupção afeta a Alunorte, que consome aproximadamente 2 milhões de m³/dia de gás natural, e já resultou em uma perda de produção estimada entre 100 mil e 120 mil toneladas de alumina. A Norsk Hydro projeta um impacto financeiro para sua divisão de Bauxita & Alumina no terceiro trimestre de 2026 entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões, decorrente da redução da produção e da aquisição de gás a preços superiores aos contratuais.
A solicitação de acesso da Norsk Hydro ocorre sob a égide da Resolução ANP nº 1.003/2026, publicada em julho, que regulamenta o acesso não discriminatório e negociado de terceiros a terminais de GNL. A norma exige que os operadores divulguem capacidades disponíveis, slots e condições de contratação em plataforma eletrônica, além de oferecer produtos firmes e interruptíveis em periodicidades anual, trimestral e mensal. A Alunorte já havia obtido registro da ANP para autoimportação de gás e aval para importar GNL, e firmou um acordo temporário com a Celba em 13 de agosto de 2026 para acesso ao terminal de Barcarena.
Este caso marca um dos primeiros testes práticos da resolução, que busca promover a abertura do mercado de gás natural no Brasil, conforme os objetivos da Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021). A norma, embora essencial para a competitividade, gerou tensões no mercado, especialmente pela exigência de segregação contábil para empresas verticalizadas e pela limitação do direito de preferência do proprietário, pontos que críticos apontam como potenciais desincentivos a novos investimentos e fontes de insegurança jurídica.
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