Light tem prejuízo de R$ 252 milhões no 2T26 por adesão a Refis
A Light registrou um prejuízo líquido de R$ 252 milhões no segundo trimestre de 2026, um aumento de 390,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi majoritariamente impactado por uma decisão contábil ligada à adesão a um programa de parcelamento de créditos tributários (Refis) e à expectativa sobre o ICMS na subvenção econômica.
A Light reportou um prejuízo líquido de R$ 252 milhões no segundo trimestre de 2026, um salto de 390,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o prejuízo foi de R$ 51 milhões. O resultado, divulgado pela companhia em seu relatório de informações financeiras, reflete principalmente um impacto contábil de R$ 354 milhões decorrente da adesão a um programa especial de parcelamento de créditos tributários (Refis).
A decisão de aderir ao Refis está atrelada à expectativa da distribuidora de não receber valores que estavam contabilizados como ativos, relacionados à antiga discussão sobre o ICMS incidente sobre a subvenção econômica e descontos concedidos a consumidores. Apesar do prejuízo líquido ampliado, a Light demonstrou melhora operacional, com o EBITDA ajustado somando R$ 599 milhões no trimestre, um avanço de 82,3% na comparação anual, impulsionado pela expansão de 49,2% da margem bruta ajustada da Distribuidora. A companhia também reverteu um prejuízo ajustado de R$ 37 milhões no 2T25 para um lucro de R$ 150 milhões no 2T26, considerando ajustes como o efeito da marcação a mercado e itens não recorrentes.
A dívida líquida ajustada da Light atingiu R$ 5,57 bilhões, um aumento de 16,5% em relação ao 2T25, mas com redução de 16,9% frente ao 1T26, após a capitalização de R$ 1,5 bilhão concluída em julho. O desfecho da votação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão do ICMS sobre subvenção econômica é um fator crucial, pois uma decisão favorável à Light pode levar a companhia a realizar a reversão de montantes passivos e ativos relacionados ao tema, alterando seus resultados contábeis futuros.
O resultado da Light se alinha a um padrão observado em outras grandes empresas do setor elétrico, que também reportaram prejuízos líquidos ou quedas de lucro no 2T26, majoritariamente devido a efeitos contábeis não caixa ou não recorrentes, enquanto seus indicadores operacionais, como o EBITDA, apresentaram melhora. Isso sugere que o mercado deve analisar os resultados líquidos com cautela, focando nos ajustes e nos drivers operacionais para uma avaliação mais precisa da performance subjacente das companhias.
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