ONS alerta para impactos do El Niño na hidrologia e operação do SIN no 2º semestre
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu uma Nota Técnica alertando para os potenciais impactos do fenômeno climático El Niño na hidrologia e na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) durante o segundo semestre. A expectativa é de um cenário desafiador para os reservatórios, que pode exigir maior despacho de usinas termelétricas e pressionar os custos de geração de energia.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu uma Nota Técnica alertando o setor de energia sobre os potenciais efeitos do fenômeno El Niño na hidrologia brasileira e na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) ao longo do segundo semestre. O documento aponta para um período de menor afluência em importantes bacias hidrográficas, o que pode exigir uma gestão mais intensiva dos recursos hídricos e do despacho de geração.
A chegada do El Niño, caracterizada pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, tende a alterar o padrão de chuvas no Brasil. Historicamente, o fenômeno está associado a volumes abaixo da média nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde se concentram os maiores reservatórios do país, cruciais para a segurança energética. Em contrapartida, as regiões Sul e Nordeste podem registrar volumes acima do usual, mas sem compensar a redução nas áreas de maior capacidade de armazenamento.
A vulnerabilidade hidrológica do Brasil é um fator conhecido. Eventos de El Niño, como os de 2015-2016 e o atual ciclo de 2023-2024, já impactaram severamente os regimes de chuva e os níveis dos reservatórios. O país ainda carrega na memória a pior seca em 91 anos, enfrentada em 2021, que forçou o despacho térmico a níveis recordes e gerou preocupações com o suprimento, evidenciando a sensibilidade do sistema a variações climáticas extremas.
Com uma matriz elétrica predominantemente hidrelétrica, que responde por cerca de 50% a 60% da capacidade instalada, o SIN depende diretamente do regime de chuvas para manter a segurança e a economicidade da operação. O ONS, como operador do sistema, tem a responsabilidade de planejar e coordenar a operação, incluindo a gestão dos recursos hídricos e o despacho de energia, conforme estabelecido pela Lei nº 9.648/98.
Em cenários de hidrologia desfavorável, a estratégia operacional do ONS frequentemente envolve o aumento do despacho de usinas termelétricas, que possuem custos de geração mais elevados. Essa medida, embora essencial para garantir o suprimento, impacta diretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), a referência para o mercado de energia elétrica. O PLD é regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), com sua metodologia definida, por exemplo, na Resolução Normativa ANEEL nº 958/2021.
O aumento do PLD tem consequências diretas para os diversos atores do setor. Geradores e comercializadores do mercado livre, assim como os grandes consumidores, sentem a pressão nos custos de aquisição de energia. Para o mercado cativo, o custo adicional pode ser repassado às tarifas dos consumidores finais, exigindo a ativação de bandeiras tarifárias mais caras e pressionando os orçamentos doméstico e industrial.
Além do ONS, que atua na ponta da operação, o Ministério de Minas e Energia (MME) monitora o cenário e pode ser acionado para definir políticas e emitir diretrizes em situações de risco, buscando garantir a segurança do suprimento. Geradores hidrelétricos e termelétricos, bem como os consumidores de todos os portes, são diretamente afetados pelas decisões operacionais e seus desdobramentos nos custos e na disponibilidade de energia.
A Nota Técnica do ONS serve como um balizador para o planejamento de curto e médio prazo, reforçando a necessidade de um monitoramento rigoroso das condições hidrológicas e meteorológicas. O Operador continuará a realizar revisões semanais e mensais da programação da operação, ajustando o despacho de geração conforme a evolução do cenário e as projeções climáticas para os próximos meses.
Tags
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial a partir de fontes oficiais e/ou públicas, com curadoria editorial do Radar Energia. Sempre que possível, priorizamos documentos, comunicados e dados primários. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.