Petrobras busca consenso com credores da Braskem, mas não descarta recuperação judicial
A Petrobras afirmou que busca um consenso com os credores no processo de recuperação extrajudicial da Braskem, mas não descarta a recuperação judicial, evidenciando a complexidade das negociações sobre a dívida de US$ 10,9 bilhões da petroquímica e a resistência da estatal em injetar capital novo.
A Petrobras busca um consenso com os credores no processo de recuperação extrajudicial da Braskem, mas não descarta a recuperação judicial, afirmou William França, diretor-executivo de Processos Industriais e Produtos da estatal. A declaração, divulgada pela Petrobras, sublinha a tensão nas negociações para reestruturar a dívida de aproximadamente US$ 10,9 bilhões da petroquímica, em um processo protocolado em 24 de agosto de 2026 na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
O principal entrave para a homologação do plano definitivo de recuperação extrajudicial, que exige a adesão de 50% mais um dos credores, é a demanda por um aporte de US$ 3 bilhões em capital novo por parte dos acionistas controladores. A Petrobras, que detém 47,03% do capital votante da Braskem, resiste a injetar recursos que possam aumentar sua participação na companhia ou fazê-lo sem a participação de outros acionistas, uma posição já manifestada pela presidente Magda Chambriard.
Os credores, principalmente os detentores de títulos (bondholders), têm um prazo crucial até 9 de outubro de 2026 para chegar a um acordo sobre os termos comerciais básicos, sob o risco de rescisão do acordo por aqueles que representam mais de 66% da dívida. O prazo final para a Braskem aprovar o plano definitivo é 22 de novembro de 2026. A incerteza prolongada sobre a reestruturação da Braskem afeta diretamente a cadeia petroquímica nacional, podendo comprometer a capacidade produtiva e aumentar a necessidade de importações de resinas, expondo o mercado doméstico a flutuações cambiais e de preços internacionais de nafta e petróleo.
A situação atual da Braskem segue um período de desafios financeiros, incluindo a reestruturação de sua joint venture mexicana, Braskem Idesa, que protocolou um processo de Chapter 11 nos EUA em agosto de 2026 para reduzir sua dívida sênior em US$ 920 milhões. No mesmo mês, a Braskem ampliou seu limite de crédito comercial com a Petrobras para aquisição de matérias-primas, passando de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões, evidenciando a necessidade de suporte de capital de giro. As ações da Petrobras (PETR3) foram cotadas a R$ 54,59 em 24 de setembro de 2026, enquanto o barril de Brent estava em US$ 106,07 e o dólar a R$ 5,19.
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