Tecnologia inédita FACTS SSSC otimiza transmissão de energia no Brasil
O Sistema Interligado Nacional (SIN) recebeu sua primeira aplicação da tecnologia FACTS do tipo SSSC na Subestação Ribeirão Preto (SP), inaugurada em junho de 2026. A solução, resultado de planejamento do MME e estudos da EPE, aprimora o controle e o desempenho das redes, aumentando a flexibilidade operacional e a capacidade de escoamento da infraestrutura existente.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) deu um passo significativo na modernização de sua rede de transmissão de energia elétrica. Em junho de 2026, foi inaugurado o primeiro projeto a empregar a tecnologia de Sistemas Flexíveis de Transmissão em Corrente Alternada (FACTS), do tipo Compensador Série Síncrono Estático (SSSC), na Subestação Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
A iniciativa marca a introdução de uma tecnologia inédita no país, projetada para aprimorar o controle e o desempenho das linhas de transmissão. Por meio de equipamentos eletrônicos avançados, o sistema permite o gerenciamento dinâmico da tensão e dos fluxos de potência, conferindo maior flexibilidade operacional, eficiência e confiabilidade à vasta rede que conecta a maior parte do território nacional.
A implementação dessa solução é o resultado de um processo estruturado de planejamento, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Estudos conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) foram cruciais para identificar a necessidade de tecnologias inovadoras, capazes de aumentar a capacidade de escoamento de energia e otimizar o uso da infraestrutura já existente, que hoje suporta uma capacidade de geração superior a 190 GW.
Com base nas recomendações técnicas da EPE, o MME incorporou a solução ao Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE), instrumento que orienta a expansão e o fortalecimento da rede nacional. Posteriormente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a execução das obras e estabeleceu os prazos regulatórios para a entrada em operação comercial dos empreendimentos, implantados pela ISA ENERGIA BRASIL na subestação paulista.
A chegada do SSSC ao SIN promete otimizar substancialmente o uso da infraestrutura de transmissão, ampliando sua capacidade de escoamento sem a necessidade de grandes obras de expansão. Esse ganho operacional é crucial para mitigar riscos de sobrecarga e aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia. Potencialmente, a tecnologia também pode reduzir custos que seriam repassados à tarifa, além de apoiar a integração de mais fontes renováveis, muitas vezes distantes dos grandes centros de consumo.
A demanda por energia elétrica no Brasil tem crescido de forma consistente, exigindo investimentos contínuos em infraestrutura de transmissão. A otimização da capacidade existente, como a proposta pela tecnologia FACTS, é fundamental para evitar gargalos e reduzir a necessidade de novas linhas de transmissão de alto custo. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) será um dos principais beneficiários diretos da maior flexibilidade operacional proporcionada pelo novo sistema.
Embora esta seja a primeira aplicação de FACTS do tipo SSSC no Sistema Interligado Nacional, a tecnologia de Sistemas Flexíveis de Transmissão em Corrente Alternada é amplamente empregada em sistemas elétricos avançados ao redor do mundo. Países como Estados Unidos, Canadá e diversas nações europeias utilizam variantes de FACTS há décadas para aumentar a estabilidade, controlar o fluxo de potência e otimizar a capacidade de suas redes de transmissão.
Com a operação do SSSC na Subestação Ribeirão Preto, os próximos passos envolvem o monitoramento contínuo de seu desempenho e a avaliação dos benefícios operacionais no Sistema Interligado Nacional. O sucesso desta aplicação pioneira pode abrir caminho para a replicação da tecnologia em outros pontos estratégicos da rede de transmissão, conforme novas necessidades de otimização e escoamento de energia forem identificadas pelos estudos de planejamento do MME e da EPE.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de CNEN. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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