Aeris protocola recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 1,5 bilhão
A fabricante de pás eólicas Aeris Energy ajuizou um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para reestruturar R$ 1,52 bilhão em créditos quirografários, buscando estabilizar sua estrutura de capital e garantir a continuidade das operações.
A Aeris Energy protocolou, em 3 de novembro de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo para reestruturar R$ 1.524.489.124,76 em créditos quirografários não correntes, apurados até 31 de outubro. A companhia já obteve a adesão de 42,18% dos credores abrangidos, superando o mínimo legal de um terço necessário para o ajuizamento do pedido.
O plano de reestruturação, fundamentado na Lei nº 11.101/2005, exclui dívidas tributárias, trabalhistas, de acidentes de trabalho e fornecimentos operacionais habituais, visando preservar a continuidade das operações e os postos de trabalho. O ajuizamento resultou na suspensão imediata de ações e execuções sobre os créditos abrangidos. A Aeris tem um prazo de 90 dias, a partir do protocolo, para obter a adesão de mais da metade dos credores, percentual necessário para a homologação judicial do plano, que prevê repactuação de pagamentos, captação de novos recursos e alteração de garantias.
A decisão de ajuizamento, aprovada pelo Conselho de Administração em 29 de outubro, ainda será submetida à ratificação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Este movimento ocorre após a empresa já ter sinalizado, em agosto de 2026, que avaliava uma reestruturação de capital, mesmo enquanto reativava linhas de produção e projetava uma carteira de pedidos robusta para 2026 e 2027. No mercado financeiro, as ações da Aeris (AERI3) registraram queda de 1,58% em 4 de novembro de 2026, acumulando uma desvalorização de 98% desde o IPO.
A situação da Aeris reflete desafios mais amplos no setor eólico brasileiro, como a retração de novas encomendas e o aumento do curtailment (cortes de geração de energia renovável por restrições na rede de transmissão). O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem atualizado dados sobre essa restrição, e a ABEEólica já cobrou dos presidenciáveis, em setembro, um plano nacional para mitigar o problema. A reestruturação de um fornecedor estratégico de pás eólicas é crucial para a estabilidade da cadeia de suprimentos eólica no país, em um contexto que já viu outras empresas do setor de renováveis buscarem saneamento financeiro.
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