MME projeta alta de 10% na capacidade de refino até 2036 com RNEST e Boaventura
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projetam um aumento de 10% na capacidade nacional de refino de petróleo até 2036, de 2,3 para 2,5 milhões de barris por dia (bpd). A expansão, detalhada no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, será impulsionada por projetos como o segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST) e a integração do Complexo Boaventura com a Reduc.
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimam um crescimento de 10% na capacidade nacional de refino de petróleo até 2036, elevando-a de 2,3 milhões de barris por dia (bpd) em 2026 para 2,5 milhões de bpd. A projeção, contida no Caderno de Refino e Infraestrutura de Abastecimento do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, divulgado nesta terça-feira (03/11), aponta para uma otimização do parque existente e a entrada de novos ativos.
A expansão será concretizada por projetos estratégicos, com destaque para o segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), que terá ampliações de destilação atmosférica a partir de junho de 2027 e unidades de hidrotratamento e coqueamento entre fevereiro de 2028 e julho de 2029. A integração do Complexo Boaventura com a Reduc também se destaca, prevendo unidades de hidrocraqueamento, HDT de diesel e geração de hidrogênio entre março e maio de 2029. A Brasil Refino, em Simões Filho (BA), também contribuirá, com início de operação previsto para o segundo semestre de 2026. Paralelamente, o fator de utilização das refinarias deve subir de 86% para 90%, e a participação do óleo nacional na carga processada, de 88% para 97%, absorvendo a produção doméstica que deverá atingir 4,9 milhões de bpd em 2036.
A maior capacidade e o aumento do fator de utilização tendem a reduzir a dependência externa de derivados como nafta, querosene de aviação (QAV) e gasolina, oferecendo maior segurança de suprimento para esses produtos. No entanto, o Brasil deverá permanecer como importador líquido de derivados de petróleo em todo o horizonte decenal, especialmente de óleo diesel. As importações líquidas de diesel projetam um salto de aproximadamente 36,6 mil m³/dia em 2026 para cerca de 51 mil m³/dia em 2036, indicando que a produção doméstica não acompanhará integralmente o crescimento de 19% na demanda por esse derivado.
As projeções do PDE 2036 para o setor de refino estão condicionadas à moderação dos preços do petróleo Brent, que hoje opera em US$ 103,51 o barril. Contudo, o documento alerta que restrições físico-logísticas e baixos investimentos globais podem pressionar as cotações para cima, um risco que impactaria a viabilidade econômica dos projetos e elevaria os custos de importação de derivados, especialmente o diesel. O plano estima investimentos totais de R$ 3,3 trilhões no setor de energia entre 2027 e 2036, dos quais R$ 142 bilhões são para biocombustíveis.
Essa estratégia de refino se alinha a informes recentes da EPE, que em outubro de 2026 apontou recorde de produção e exportação de petróleo em 2025, ao mesmo tempo em que projetou demanda recorde de QAV em 2027 e revisou a demanda de diesel para 2026. Esses dados evidenciam a necessidade de expansão da capacidade para atender ao crescimento da demanda interna por derivados e processar a crescente produção nacional de petróleo, para a qual a EPE já havia alertado sobre a necessidade de reposição de reservas.
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