Seca no Tapajós eleva custos logísticos e ameaça conta de luz via CCC
A severa estiagem no Rio Tapajós limita a capacidade das barcaças, forçando o uso complementar do transporte rodoviário para escoamento de cargas. Usinas termelétricas a diesel já solicitaram R$ 100 milhões à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para antecipar a compra de quase 18 milhões de litros de combustível, com potencial impacto na tarifa de energia dos consumidores.
A severa estiagem no Rio Tapajós impõe restrições críticas ao transporte fluvial, limitando a capacidade das barcaças a operar entre 50% e 60% de sua carga total, sob um calado operacional de apenas 2,50 metros em trechos críticos. Diante do cenário, o governo federal admite o uso complementar de rodovias como contingência para o escoamento de grãos e outras cargas, medida que já está em vigor desde 3 de novembro de 2026, data em que as restrições de capacidade e calado foram impostas. A Prefeitura de Santarém já havia declarado situação de emergência por estiagem em 15 de outubro, via Decreto nº 774/2026, com validade de 90 dias.
O desvio logístico para o modal rodoviário, inerentemente mais caro e menos eficiente para grandes volumes, já gera impactos financeiros significativos. O setor produtivo estima um acréscimo entre R$ 500 milhões e R$ 850 milhões nos custos logísticos apenas para o escoamento de grãos. No setor de energia, usinas termelétricas a diesel em sistemas isolados da Amazônia solicitaram mais de R$ 100 milhões para antecipar a compra e estocar quase 18 milhões de litros de combustível, valor que seria antecipado pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), impactando a conta de luz dos consumidores de energia do país.
A situação no Tapajós, intensificada pelo fenômeno El Niño, já era um risco conhecido e monitorado, com o Ibama publicando um guia orientativo em agosto de 2026 para empreendedores de usinas hidrelétricas visando a gestão de riscos climáticos. Contudo, a tensão entre a necessidade urgente de manutenção da hidrovia e a burocracia regulatória persiste. A aplicação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental para dragagens é objeto de interpretações divergentes e questionamentos judiciais, enquanto o cancelamento de uma licitação de R$ 74,8 milhões para dragagem no trecho Itaituba-Santarém pelo DNIT agrava o cenário, elevando o risco de futuras interrupções e escalada de custos para a geração de energia.
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