MME e EPE projetam R$ 142 bilhões em biocombustíveis até 2036
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimam R$ 142 bilhões em investimentos no setor de biocombustíveis entre 2027 e 2036. A projeção, detalhada no Caderno de Biocombustíveis e Combustíveis Sintéticos do PDE 2036 em consulta pública, aponta para uma expansão robusta da oferta de etanol, biodiesel e biometano, impulsionada por políticas de descarbonização.
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projetam investimentos de R$ 142 bilhões no setor de biocombustíveis no Brasil entre 2027 e 2036. A estimativa consta do Caderno de Biocombustíveis e Combustíveis Sintéticos do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, documento em consulta pública até 6 de novembro de 2026, que sinaliza uma expansão da capacidade produtiva e da oferta de energia renovável para transporte e gás natural.
Os maiores aportes, de R$ 39 bilhões, são esperados para combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e diesel verde. O biometano deve atrair R$ 31,1 bilhões, seguido pela expansão do etanol de milho e outros cereais, com R$ 25,3 bilhões, e a formação de novos canaviais, com R$ 24,1 bilhões. A oferta de etanol é projetada para crescer 2,5% ao ano, passando de 41,6 bilhões para 53,1 bilhões de litros até 2036, com o etanol de milho respondendo por 40% do total. A produção de etanol de segunda geração (E2G) é estimada em 600 milhões de litros, enquanto a demanda por biodiesel deve alcançar 14,7 bilhões de litros no mesmo período.
Os investimentos projetados respondem a mecanismos de mercado e regulatórios, como o RenovaBio, que estabelece metas de descarbonização, e os mandatos de mistura. Em 6 de outubro, o MME propôs um mandato de biometano para o mercado de gás natural, elevando a meta de 0,5% para 1% em 2027, com crescimento até 5% em 2030, o que corrobora o aporte significativo previsto para o biometano. Para atender à demanda projetada até 2036, o setor precisará adicionar cerca de 8,5 milhões de metros cúbicos diários de capacidade produtiva, com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) responsável pela autorização.
O caráter de consulta pública do PDE 2036 implica que as projeções ainda podem ser ajustadas. A concretização dos R$ 142 bilhões depende de um ambiente regulatório estável e de sinais de mercado consistentes, especialmente para a competitividade do etanol hidratado frente a combustíveis fósseis e a viabilidade de novas tecnologias como o E2G e SAF. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) havia projetado um déficit de 15 milhões de CBIOs em 2035, e as projeções atualizadas do PDE 2036, ao sinalizar a expansão da oferta, podem mitigar esse risco para os compradores de créditos de descarbonização.
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