CETP reduz em 80% o financiamento público internacional a fósseis em 2025
A Parceria para a Transição de Energia Limpa (CETP), composta por 40 países e instituições financeiras, cortou em 80% seu financiamento público internacional para combustíveis fósseis em 2025, atingindo US$ 3,3 bilhões. Apesar da redução expressiva, apenas 42% dos fundos foram redirecionados para energia limpa, com a maior parte destinada a economias avançadas, levantando desafios para a transição energética global.
A Parceria para a Transição de Energia Limpa (CETP), coalizão de 40 membros, incluindo governos e instituições financeiras públicas, reduziu em 80% seu financiamento público internacional para projetos de combustíveis fósseis em 2025, com o apoio caindo para US$ 3,3 bilhões. Esse valor contrasta com a média anual de US$ 8,5 bilhões a US$ 13,2 bilhões registrada entre 2019 e 2021, antes do lançamento da iniciativa, segundo relatório do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD), Oil Change International (OCI) e Friends of the Earth US.
Lançada na Cúpula do Clima COP26 em Glasgow, em 2021, a CETP se comprometeu a encerrar o novo financiamento público internacional para combustíveis fósseis “não mitigados” até o final de 2022. Essa iniciativa restringe o acesso a capital subsidiado para projetos fósseis, alterando a equação de risco e retorno para investidores e desenvolvedores, e tende a impulsionar a competitividade das fontes renováveis. Contudo, apenas 42% dos fundos cortados foram redirecionados para energia limpa, e a distribuição foi desigual: 71% para economias avançadas e apenas 24% para economias emergentes e em desenvolvimento.
Apesar do compromisso, países como Itália, Alemanha e Suíça continuaram a fornecer apoio a projetos fósseis após o prazo de 2022. Além disso, os Estados Unidos, um dos signatários originais, retiraram-se da parceria em fevereiro de 2025. Tais divergências podem enfraquecer a credibilidade e o impacto da CETP, criando brechas na implementação das políticas e minando o esforço global coordenado para a transição energética, com risco de perpetuar a dependência de fósseis em economias em desenvolvimento.
A decisão da CETP reflete uma tendência global de restrição ao financiamento de combustíveis fósseis, ecoando movimentos em instituições nacionais. No Brasil, o BNDES atualizou em setembro de 2026 suas restrições socioambientais, vedando o apoio a termelétricas exclusivamente a carvão mineral ou óleo. Para o setor, a observação da evolução do redirecionamento de fundos para energia limpa e da distribuição equitativa para economias emergentes é fundamental, pois são aspectos vitais para uma transição energética global justa. Igualmente relevante é a interpretação da cláusula de “combustíveis fósseis não mitigados” pelos membros.
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