Portos brasileiros exigem até US$ 880 mi em investimentos para eólica offshore, aponta estudo MME/MPOR
Um estudo conjunto do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR) revela que nenhum porto brasileiro está totalmente preparado para a construção de grandes parques eólicos offshore sem aportes significativos. A adaptação da infraestrutura portuária para projetos de grande porte exigiria investimentos de até US$ 356,5 milhões por terminal, totalizando US$ 880 milhões para cinco portos, com prazos de 3 a 6,5 anos para prontidão.
Nenhum porto brasileiro está totalmente apto a abrigar terminais dedicados à construção de grandes parques eólicos offshore sem novos investimentos, segundo estudo apresentado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR). A análise detalhada aponta que a adaptação para projetos com turbinas de 15 MW a 20 MW, localizados a mais de 20 km da costa, exigiria aportes entre US$ 64 milhões e US$ 356,5 milhões por terminal, com prazos de 3 a 6,5 anos para que a infraestrutura esteja pronta.
As principais restrições identificadas incluem a alta ocupação dos terminais, a falta de espaço adequado para armazenamento de componentes de grandes dimensões e a necessidade de reconstrução dos cais para suportar pesos acima de 10 ou 15 toneladas por metro quadrado. O estudo dimensiona o custo total para a adaptação de cinco portos brasileiros em US$ 880 milhões, sendo que para projetos nearshore, como um terminal no estaleiro Rio Grande, o custo seria de US$ 27,5 milhões e levaria 2,5 anos.
As recomendações do estudo indicam uma “janela crítica” de decisões de investimento no curto prazo, entre 2026 e 2028, para que a infraestrutura portuária esteja disponível no período de implantação dos empreendimentos eólicos offshore, previsto para 2032-2035. Seis portos foram identificados com maior potencial: Pecém, Suape, Porto Central, Açu, Imbituba e Rio Grande. O MME e o MPOR devem, neste período, avançar na regulamentação da energia eólica offshore e na atualização dos planos portuários.
Este diagnóstico complementa os esforços regulatórios recentes do MME para o setor. Em julho de 2026, o Ministério já havia publicado a metodologia para a seleção de áreas destinadas a projetos de geração de energia eólica no mar, conforme noticiado pelo Radar Energia. O estudo portuário agora adiciona a dimensão logística, considerada crítica para a viabilização prática desses projetos, inserindo-se em um arcabouço que inclui a Lei nº 15.097/2025 e um Decreto Regulamentador em fase final de ajustes.
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